Brasil registra uma morte por afogamento a cada 90 minutos

O Brasil registra um cenário alarmante de segurança aquática, com uma média de uma morte por afogamento a cada 90 minutos. O índice representa 16 óbitos diários, totalizando quase 6 mil vítimas anuais no país. Com a chegada do verão, os casos apresentam um aumento significativo, especialmente em áreas litorâneas e balneários de água doce.

No último fim de semana, o litoral paulista contabilizou nove mortes, elevando para 30 o número de vítimas fatais na região desde o início de dezembro. O perfil mais comum das vítimas é de homens adultos que, em muitos casos, ignoram as orientações das equipes de salvamento.

No Guarujá, um homem de 67 anos faleceu no domingo após ser retirado da água; segundo a psicóloga Fernanda Rodrigues, que presenciou o socorro, o respeito à força da natureza é fundamental para evitar tragédias.

 

Álcool e imprudência aumentam riscos

As autoridades alertam que a combinação de imprudência e consumo de bebidas alcoólicas é um dos fatores determinantes para as estatísticas negativas. Segundo o tenente Eduardo Campanhola, do Grupamento de Bombeiros, é comum identificar um forte odor etílico em vítimas resgatadas, o que confirma o uso de álcool antes do banho de mar.

Outro fator crítico é a negligência em relação à sinalização de segurança. David Szpilman, secretário-geral da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático, explica que muitos banhistas superestimam sua capacidade física e não conseguem identificar os perigos do ambiente, como buracos e correntes de retorno.

A maioria dos resgates no litoral de São Paulo ocorre em áreas já devidamente sinalizadas com placas de perigo.

 

Monitoramento e prevenção

Apesar do alto índice de óbitos, as ações de prevenção têm sido intensas. Em pouco mais de 40 dias da Operação Verão no litoral paulista, os bombeiros salvaram mais de 1.400 pessoas. Na Bahia, os registros apontam quase 80 resgates desde o início do ano. O risco, entretanto, não se restringe às praias; em Minas Gerais, quatro pessoas morreram afogadas no último fim de semana, incluindo um jovem de 23 anos em uma cachoeira no sul do estado.

Para evitar novos acidentes, especialistas reforçam orientações básicas de segurança, como a regra de manter a água na altura do umbigo. Para a banhista Cleyde Barbieri, a vigilância constante, especialmente com adolescentes, é a melhor forma de prevenção. O acompanhamento dos guarda-vidas e a atenção às bandeiras de sinalização nas orlas permanecem como as principais defesas contra a correnteza.

 

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