
O Brasil não conseguiu atingir a meta mínima de cobertura vacinal para a maioria das vacinas do calendário nacional em 2025. Dados do Ministério da Saúde mostram que apenas dois imunizantes alcançaram o percentual de 95%, índice considerado essencial para garantir proteção coletiva contra doenças imunopreveníveis.
As exceções foram a BCG, aplicada em recém-nascidos, e a vacina contra a hepatite B administrada nas primeiras horas de vida. O resultado acende um alerta para a saúde pública, já que a maior parte dos imunizantes oferecidos gratuitamente à população ficou abaixo do nível considerado seguro para evitar surtos e a reintrodução de doenças que já estavam sob controle no país.
A meta de 95% de cobertura vacinal é adotada no Brasil com base em critérios científicos e internacionais. Esse patamar é necessário para alcançar a chamada imunidade coletiva, quando a circulação de vírus e bactérias é reduzida a ponto de proteger também quem não pode ser vacinado.
Quando a cobertura fica abaixo desse índice, aumenta o risco de transmissão de doenças, especialmente entre crianças que não completaram o esquema vacinal recomendado.
O papel do Programa Nacional de Imunizações
O acompanhamento das coberturas vacinais é feito pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), política pública criada na década de 1970 para organizar e garantir a vacinação gratuita em todo o território nacional. O programa define o calendário oficial de vacinas, estabelece metas de cobertura e monitora os dados em parceria com estados e municípios.
Reconhecido internacionalmente, o PNI é responsável por conquistas históricas da saúde pública brasileira, como a eliminação da poliomielite e o controle do sarampo em diferentes períodos.
O calendário inclui imunizantes contra doenças como poliomielite, sarampo, coqueluche, difteria, meningite, febre amarela e rotavírus. Apesar da ampla oferta nos postos de saúde, os dados mostram que a adesão da população ainda está aquém do necessário.
Vacinas como tríplice viral, penta, pneumocócica 10-valente e meningocócica C continuam com cobertura abaixo da meta, mantendo grupos populacionais vulneráveis, especialmente crianças pequenas.
Recuperação parcial após anos de queda
Após um período prolongado de queda nas coberturas vacinais — intensificado pela pandemia de Covid-19 —, 2025 registrou uma recuperação parcial. Campanhas nacionais, ações em escolas e mobilizações nos municípios ajudaram a aumentar o número de doses aplicadas em relação ao ano anterior.
Ainda assim, os avanços não foram suficientes para que a maioria das vacinas atingisse o patamar de segurança definido pelo PNI. A cobertura vacinal abaixo da meta tem consequências práticas.
Nos últimos anos, o país voltou a registrar aumento de casos de doenças preveníveis por vacina, como a coqueluche, com maior impacto entre crianças que não completaram o esquema vacinal.
Entre os principais desafios estão a hesitação vacinal, a desinformação e dificuldades de acesso em algumas regiões. Para gestores e profissionais de saúde, ampliar campanhas, facilitar o acesso aos postos e reforçar a comunicação sobre a importância da vacinação são estratégias fundamentais.
Isabella França / metropoles.com
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