
O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.
O Nacional Atlético Clube nasceu em 23 de dezembro de 1961, fruto da iniciativa de funcionários federais que trabalhavam em Patos, especialmente servidores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. À frente do projeto estava José Geraldo Dinoá Medeiros, fundador e primeiro presidente do clube.
A origem institucional inspirou o próprio nome da equipe: “Nacional”, referência às siglas e à ligação dos órgãos federais representados por seus fundadores. As cores iniciais, verde e amarelo, homenageavam a bandeira brasileira, mas precisaram ser modificadas quando o clube se profissionalizou, devido a uma norma da antiga Confederação Brasileira de Desportos que proibia clubes profissionais de utilizarem uniformes iguais aos da seleção nacional. Assim nasceram as cores atuais: verde e branco.
Ainda no período amador, o Nacional disputou suas primeiras partidas no campo do Colégio Estadual de Patos, atual Escola Monsenhor Manuel Vieira. Foi ali que ocorreu o primeiro jogo da história do clube, diante do Botafogo-PB, com derrota por 5 a 1. O primeiro gol nacionalino foi marcado por Expedito do Correio, personagem pioneiro da história do Canário do Sertão.
Também naquele campo nasceu uma das rivalidades mais tradicionais do interior paraibano. Em 14 de abril de 1963 ocorreu o primeiro confronto do clássico patoense contra o Esporte Clube de Patos, vencido pelo rival por 3 a 1.
A busca pela profissionalização levou o clube ao Estádio José Cavalcanti, inaugurado em 1964 com vitória nacionalina sobre o Esporte por 2 a 1. No ano seguinte, em 1965, o Nacional estreou no Campeonato Paraibano.
Apesar de ausências pontuais, como em 1970 e 1971, o clube construiu presença constante na competição. O retorno em 1972 marcou a formação do elenco conhecido como “Moleques da Rua da Baixa”, referência a uma tradicional rua de Patos que revelou grande parte dos atletas daquele período.
A década de 1970 foi marcada por episódios curiosos e pelo crescimento esportivo do clube. O Campeonato Paraibano de 1975 terminou envolto em polêmica jurídica envolvendo Campinense Clube, Treze e o próprio Nacional, após discussões sobre a escalação irregular do jogador Dadinha.
Em campo, o clube também protagonizou momentos marcantes. Em 14 de março de 1976 aplicou a maior goleada da história do clássico patoense: 7 a 1 sobre o Esporte. Dois anos depois, em 1978, o Nacional conquistou seu primeiro vice-campeonato estadual, superado pelo Botafogo-PB na final.
A regularidade no futebol paraibano levou o clube a disputar competições organizadas pela Confederação Brasileira de Futebol. O Nacional foi pentacampeão do Torneio Incentivo entre 1977 e 1981, consolidando o apelido de Verdão Maravilha.
Entre o final da década de 1980 e início dos anos 1990, o clube alcançou três vice-campeonatos estaduais consecutivos (1989, 1990 e 1991), classificando-se para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e tornando-se o primeiro clube do Sertão paraibano a disputar a competição.
Depois de oscilações na década de 1990, o clube iniciou um processo de reorganização na década seguinte sob a presidência do ex-jogador Zé Ivan. O trabalho culminou no maior momento da história nacionalina.
Em 2007, o Nacional conquistou pela primeira vez o título do Campeonato Paraibano. Após vencer o primeiro turno contra o Sousa Esporte Clube, o clube enfrentou o Atlético Cajazeirense de Desportos na decisão. Derrotado por 2 a 1 no primeiro jogo, o Verdão reagiu em Patos e venceu por 3 a 0 diante de sua torcida, garantindo o título estadual. A campanha ainda teve o artilheiro da competição: Edmundo, com 18 gols.
O título abriu portas nacionais. O clube disputou a Copa do Brasil de 2008 contra o Internacional-RS e voltou ao torneio em 2009 diante do Fluminense-RJ.
Também participou da Campeonato Brasileiro Série C, alcançando campanha destacada e terminando entre os oito melhores. No mesmo período, o clube também conquistou a Copa Paraíba de 2008.
A partir da década de 2010 o Nacional enfrentou dificuldades financeiras e esportivas. Em 2014 abandonou o Campeonato Paraibano por problemas econômicos e sofreu o primeiro rebaixamento de sua história.
A reconstrução veio em 2017, quando conquistou o título da Segunda Divisão estadual e retornou à elite. Nos anos seguintes alternou campanhas regulares, chegando às semifinais do Paraibano de 2019.
Em 2022 voltou a ganhar protagonismo ao avançar no estadual e garantir vaga na Campeonato Brasileiro Série D de 2023, competição em que alcançou as quartas de final.
Por Fonte 83
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