
O futebol paraibano sempre foi marcado por clubes que ultrapassam as quatro linhas e se confundem com a própria história do estado. Na série Nossa Terra, Nossos Times, o portal Fonte83 revisita a trajetória das agremiações que ajudaram a construir a identidade esportiva da Paraíba, atravessando gerações, resistindo a crises e se consolidando como símbolos de pertencimento, memória e paixão popular.
Antes da existência do Esporte Clube de Patos, o futebol patoense era representado por outra equipe: o Botafogo Futebol Clube de Patos. Entre 1946 e 1952, o clube foi dirigido por Inocêncio Oliveira, ex-jogador baiano radicado em Patos que ficou conhecido na cidade como “Velho Inocêncio”.
O Botafogo mandava seus jogos no antigo Campo do Estrela, terreno localizado ao lado de onde hoje se ergue o Estádio José Cavalcanti. Durante sete anos de existência, a equipe manteve uma marca impressionante: permaneceu invicta, derrotando adversários importantes da região, como o Treze Futebol Clube e o Ferroviário Atlético Clube.
Problemas de saúde levaram Inocêncio Oliveira a se mudar temporariamente para a Bahia. Em seu retorno a Patos, foi convidado para uma reunião organizada por desportistas locais, entre eles o atleta Zéu Palmeira. Ali já estava decidida a criação de um novo clube que representasse melhor a identidade regional da cidade.
Mesmo contrário à mudança, Inocêncio entregou a documentação, troféus e registros do Botafogo à nova diretoria. Assim, em 7 de julho de 1952, no antigo Tiro de Guerra de Patos, nascia oficialmente o Esporte Clube de Patos.
Entre 1952 e 1963, o Esporte mandou seus jogos no chamado campo do ginásio, localizado nas proximidades da atual Escola Monsenhor Manuel Vieira.
Foi nesse cenário que, em 14 de abril de 1963, ocorreu o primeiro capítulo de uma das rivalidades mais marcantes do interior paraibano: o clássico entre o Esporte e o Nacional Atlético Clube. Na ocasião, o Esporte venceu de virada por 3 a 1.
O campo também recebeu equipes tradicionais do futebol brasileiro em partidas amistosas e festivas, como o Sport Club do Recife, o Treze Futebol Clube, o Campinense Clube, além de clubes de outras regiões como o Associação Atlética Portuguesa RJ e o São Cristóvão de Futebol e Regatas.
A década de 1960 marcou a profissionalização do futebol paraibano. Para disputar o Campeonato Paraibano, o Esporte decidiu profissionalizar-se em 1964, tornando-se o primeiro clube do Sertão paraibano a adotar o profissionalismo.
A estreia na elite estadual ocorreu em 1965, e de forma histórica. Logo em sua primeira participação, o Esporte aplicou uma goleada de 11 a 0 sobre o Cinco de Agosto Futebol Clube, uma das maiores já registradas no futebol paraibano.
O impacto daquela vitória fez nascer um apelido que atravessaria décadas: “O Terror do Sertão”.
Um dos episódios mais curiosos da história do clube ocorreu em 7 de setembro de 1973, quando o lendário Garrincha vestiu a camisa do Esporte.
O craque bicampeão mundial participava de uma série de partidas festivas pelo interior do Brasil. Em Patos, jogou no Estádio José Cavalcanti, em confronto contra o Botafogo Futebol Clube de Cajazeiras.

Garrincha jogou um jogo festivo pelo Esporte de Patos – Foto: Arquivo
O episódio tornou-se um dos momentos mais lembrados pela memória esportiva da cidade.
O Esporte participou do Campeonato Paraibano entre 1965 e 1974, retornando posteriormente em diferentes períodos. Ao longo dessa trajetória, construiu uma rivalidade intensa com o Nacional.
Um dos confrontos mais marcantes ocorreu em 19 de junho de 1985, quando o Esporte venceu o rival por 4 a 1, resultado que permanece como a maior goleada do clube no clássico. Entre as conquistas do período estão dois títulos do Torneio Início da Federação Paraibana de Futebol, vencidos em 1972 e 1993.
O Esporte nasceu inspirado em clubes pernambucanos. Seu nome faz referência direta ao Sport Club do Recife, enquanto as cores do uniforme remetem ao Clube Náutico Capibaribe.
Durante décadas, o escudo do clube utilizou o personagem Pato Donald como símbolo. Em 2015, porém, a diretoria decidiu alterar o emblema para evitar possíveis disputas jurídicas com a The Walt Disney Company. Um novo escudo circular nas cores vermelha e branca foi adotado após consulta popular na cidade.
A torcida organizada mais conhecida do clube é a Torcida Jovem do Pato, responsável por animar as arquibancadas nos jogos do Patinho.
Por Fonte 83
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