
Lito Sousa, influenciador que conquistou fama ao falar sobre aviões na internet, morreu aos 59 anos, conforme foi anunciado por sua esposa, Mila Seidl, nesta quinta-feira (1º), nas redes sociais. Ele estava internado no Hospital Albert Einstein, na Zona Sul de São Paulo, para tratamento da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma condição do cérebro muito rara e grave, que causa perda de memória, problemas para andar e tremores.
A esposa do ex-piloto publicou um vídeo de despedida ao YouTuber. "Um grande abraço e até o proximo voo. Foi uma honra ter viajado com você. Te amo. Sempre", disse ela. Ela compilou diversos momentos da carreira do comunicador, e narrou a história do casal.
“Juntos, construímos uma comunidade e criamos uma relação de amigos. Aquele amigo que ajuda o outro, que acolhe os medos e transforma em segurança”, afirmou. “Eu conheci o Lito, pai do Malone”, disse, citando ainda que ele era filho de Terezinha e Sebastião, irmão de cinco e “o ser humano mais íntegro que eu já conheci”.
Ao lembrar a história do casal, contou que Lito a ajudou a superar o medo de voar. “Você veio para me salvar. Me salvar do medo de voar”, declarou. Ela também recordou o início da vida juntos: “Começamos com nada. Comemos pizza no chão da sala. Construímos tijolo por tijolo o Aviões e Músicas, o Lito Group”.
Entre as conquistas do casal, destacou o filho, Malone. “O nosso maior feito foi o nosso filho Malone, um sonho materializado em um amor inigualável”, afirmou. Ao falar sobre a morte do marido, ela fez uma comparação com os temas que marcaram a carreira dele. “No canal falamos de tantas chegadas e partidas, de planos de voo que deram errado e precisaram ser reajustados. Mas nunca eu imaginei que um dia precisaríamos falar da sua partida.”
Ela afirmou ainda que não consegue explicar a morte do marido, mas acredita que ele cumpriu sua missão. “O grande comandante decidiu levá-lo para perto dele, para perto dos seus pais e do seu irmão. Por quê? Me falaram que as pessoas boas, que cumprem sua missão com excelência, vão para perto de Deus mais rápido. Eu não sei explicar a sua partida. Talvez ninguém saiba. Mas, olhando para a vida que você viveu, eu sei que você cumpriu a sua missão. O Brasil inteiro te ama porque você deixou a gente mais segura para seguir viagem.”
No fim, a esposa retomou uma das principais mensagens da trajetória de Lito: “Você nos ensinou a olhar para cima”. Em seguida, imaginou o que ele diria diante da despedida: “Não chores pela minha partida. Olhe para o céu como procuras um avião. Ao olhar, eu vou estar lá”.
À Quem, a assessoria do influenciador confirmou a morte e afirmou: "assim que tivermos novas informações e orientações, avisaremos. Por ora, a fonte oficial da informação são as redes sociais".
O amigo de Lito, o comandante de aviação Silvio Monteiro Junior, também lamentou a partida. "Missão cumprida. Bom voo, meu amigo", postou.
Quem era Lito Sousa?
Mecânico internacional de aeronaves, com mais de 35 anos trabalhando na área da aviação, Lito era o apelido de Joselito Geraldo de Sousa, que teve a carreira profissional em empresas como Varig, Transbrasil e United Airlines. Ele nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte.
Em agosto, Mila Seidl, esposa de Lito, contou que ele havia sido diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença neurodegenerativa rara e progressiva. Desde então, uma campanha na internet mobilizou admiradores e personalidades do meio artístico e esportivo.
A visibilidade do trabalho de Lito cresceu em 2010, quando criou o canal Aviões e Músicas no YouTube, em que explicava o funcionamento das aeronaves, contava histórias dos bastidores da aviação e respondia a dúvidas dos seguidores.
Mobilização de apoio nas redes sociais
No dia 24 de agosto, Mila Seidl compartilhou um vídeo pedindo que os seguidores mantivessem a pressão sobre o Itamaraty e o Governo Federal para tentar viabilizar caminhos para o tratamento do marido. A esposa do influenciador contou que a família já havia recebido alguns contatos, mas demonstrou preocupação com a rapidez da evolução do quadro de Lito.
O apelo foi seguido por uma série de comentários de pessoas tentando encontrar alternativas para Lito.
Por Beatriz Bourroul, Gabriela Antualpa e Luanda Moraes / revistaquem.globo.com
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