16 de janeiro de 2018 - 14:06

Esportes


Agenda de shows do Maracanã deixa Fla sem casa para estreia na Libertadores

Se em 2017 o Maracanã começou o ano abandonado, em 2018 a administradora Maracanã S.A. (Odebrecht e AEG) resolveu recuperar os prejuízos que vem levando. Mesmo que para isso o futebol fique em segundo plano. Por causa de uma agenda intensa de shows no campo de jogo — serão cinco em 16 dias — o gramado precisará ser trocado. E, por isso, cerca de seis partidas — duas semifinais, uma final, dois clássicos do Campeonato Carioca e a estreia do Flamengo na Libertadores — não poderão acontecer no estádio.

O “Carnaval dos Sonhos”, evento que vai acontecer em três dias do feriado, será o principal responsável pelo desgaste excessivo da grama. O cantor Wesley Safadão, a dupla sertaneja Jorge e Matheus e um evento de música eletrônica passarão pelo palco montado no gramado. A previsão é que cerca de 15 mil pessoas por dia vão pisotear a planta da espécie “bermudas celebration".

Depois disso, a grama — que aguenta calor e sombra — terá de resistir ainda às 70 mil pessoas por dia (espalhadas entre gramado e arquibancadas) que vão assistir ao músico britânico Phil Collins, no dia 22/02 e à banda americana Foo Fighters, no dia 25/02. Por cerca de duas semanas de fevereiro, entre os dias 9 e 25, apenas shows vão acontecer no Maracanã. No dia 26, a grama começará a ser trocada.

O gramado do Maracanã é trocado pelo menos duas vezes por ano. Para isso, mudas da espécie “bermudas celebration" são plantadas em um sítio da Greenleaf em Saquarema — que tem condições semelhantes ao terreno do Maracanã. Quando há necessidade, elas são trasportadas para o Rio em rolos, depois replantados no estádio. No entanto, a grama precisa de 10 a 15 dias para crescer no Maracanã e estar em condições de jogo. O prazo depende do número de chuvas e sol que faz no período.

Se de fato ela for trocada nesse período, como informou a própria Maracanã S.A., o Flamengo não terá casa para jogar no Rio em sua estreia Libertadores. A possibilidade de atuar na cidade também depende de não receber nenhuma punição da Conmebol pelos episódios na final da Sul-Americana.

 

SEM PLANO B

Se não jogar de portões fechados, perder mando de campo ou for obrigado a atuar longe de sua sede, o Flamengo terá de tentar recorrer ao Nilton Santos, se o Botafogo quiser alugar, para jogar no Rio perto da sua torcida para um público grande contra o River Plate (ARG). O presidente Eduardo Bandeira de Mello e mais dois funcionários que cuidam da logística do clube disseram desconhecer o impedimento de usar o estádio, com o qual têm contrato de uso.

— O Maracanã é a nossa primeira opção. Não me passaram nada de que não poderíamos mandar a partida lá, caso não haja a punição. Claro que estamos esperando a Conmebol. Mas não fomos avisados de nada até agora — disse o Bandeira.

O presidente disse que ainda não há um plano B. E, uma partida desse porte dificilmente poderia ser jogada na Ilha do Urubu, por motivos de segurança.

Os shows vão afetar, e muito, o calendário do Campeonato Carioca. As semifinais e a final da Taça Guanabara estão marcadas para os dias nove, dez e 18 de fevereiro, quando o Maracanã terá grama, mas estará fechado para eventos. Já o jogo entre Fluminense e Flamengo, no dia 25/02, já pela Taça Rio, terá que acontecer fora do estádio. Assim como o Flamengo x Botafogo do dia 04/03. A esperança é que haja condições de receber o clássico entre Vasco x Fluminense, marcado para 07/03. Segundo a nota enviada pela Maracanã S.A., “o Maracanã estará disponível para o futebol a partir do dia 10 de março. Podendo antecipar para os dias 7 ou 8, no máximo.” Porém, isso dependerá das condições climáticas e do estado do gramado.

A Maracanã S.A. tem contrato com Flamengo e Fluminense para jogos mais frequentes e estes podem, eventualmente, exigir seu direitos. A administradora precisa ainda seguir as regras do edital de licitação que venceu em 2013.

Pelo edital, ela precisa privilegiar o futebol na maior parte do tempo. No entanto, também pode fazer shows de mais de 40 mil pessoas. Segundo o documento, o ideal é que aconteçam cerca de dois eventos desse porte no estádio por ano. Para 2018, já há quatro agendados: Phil Collins, Foo Fighters, Pearl Jam e Roger Walter (em outubro).

A Casa Civil do Estado não respondeu se cabe multa ou punição à Maracanã S.A. A pasta, que é responsável pela fiscalização do contrato, sabe que a empresa quer deixar, desde 2015, a administração do estádio. Segundo o governador Luiz Fernando Pezão, um novo edital será lançado. Mas não há previsão para isso. A concessionária, que reclama de sucessivos prejuízos, já fechou contratos e patrocínios para esse ano, a fim de diminuir esse saldo vermelho. Festas fora do gramado, por exemplo, têm ocorrido com frequência.

POR CAROLINA OLIVEIRA CASTRO