
O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico pode trazer um efeito inesperado para quem pretende visitar a costa da Califórnia: um aumento na presença de tubarões-brancos. Pesquisadores afirmam que o Super El Niño está modificando o comportamento migratório desses animais, que buscam águas mais frias e podem aparecer em maior número entre julho e setembro no litoral do estado americano.
Segundo Chris Lowe, especialista em tubarões da Universidade Estadual da Califórnia, em Long Beach, a equipe monitora a espécie desde 2009 e já marcou cerca de 350 animais. As observações mostram que a temperatura da água influencia diretamente os deslocamentos. Em entrevista ao The California Post, ele afirmou que o grupo também identificou, ainda em fevereiro, um aumento precoce de filhotes de tubarão na região, um fenômeno que normalmente só seria esperado em abril. Como os juvenis evitam águas muito quentes, eles tendem a migrar para áreas relativamente mais frias da costa californiana.
— Estamos monitorando os grandes tubarões-brancos no sul da Califórnia desde 2009. É assim que sabemos que a temperatura afeta a migração deles. Também esperamos mais tubarões-brancos juvenis do que o normal ao longo da costa do sul da Califórnia, até Monterey — afirmou Lowe, acrescentando que tubarões-martelo-lisos também podem aparecer com mais frequência.
O que explica o fenômeno
No mês passado, cientistas confirmaram a ocorrência de um Super El Niño após medições do satélite Sentinel-6 Michael Freilich detectarem níveis elevados da superfície do mar em partes do Pacífico equatorial. Segundo a NASA, o aquecimento da água faz o oceano se expandir, elevando o nível da superfície, um dos principais indicadores da intensificação do fenômeno. Já a Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê temperaturas acima da média em grande parte do planeta, com ondas de calor mais intensas em regiões da América do Norte, Europa, norte da África e Ásia.
O El Niño corresponde à fase quente da Oscilação Sul do El Niño (ENSO), um fenômeno climático que altera, em intervalos de dois a sete anos, a temperatura das águas do Pacífico tropical e influencia padrões de chuva, ventos e temperatura em diversas partes do mundo. Sua fase oposta é a La Niña, marcada pelo resfriamento dessas águas.
Apesar do aumento esperado na presença de tubarões, especialistas reforçam que o risco para banhistas permanece extremamente baixo. Dados do International Shark Attack Files mostram que os Estados Unidos registraram 25 ataques não provocados em 2025, cinco deles na Califórnia, com uma morte. Em escala global, nove pessoas morreram em ataques de tubarão no ano passado, número muito inferior às cerca de 24 mil mortes anuais provocadas por raios, segundo estimativas citadas pelos pesquisadores.
Por O Globo — Califórnia
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