
A vacinação contra o HPV foi ampliada na Paraíba para crianças de ambos os sexos a partir dos 2 anos que tenham sido vítimas de violência sexual. A medida segue uma recomendação do Ministério da Saúde estabelecida na Nota Técnica nº 96/2026 e passa a integrar as orientações para atendimento desse público no Sistema Único de Saúde (SUS) com o objetivo de ampliar a proteção desse público contra infecções pelo Papilomavírus Humano (HPV).
A estratégia prevê a aplicação de uma dose da vacina. A imunização deve ser indicada e registrada pelo serviço ou profissional de saúde responsável pelo atendimento da criança e pode ser realizada diretamente nas salas de vacinação do SUS. Não há necessidade de solicitar as doses por um procedimento específico.
A vacina contra o HPV já integra o Calendário Nacional de Vacinação desde 2014 e protege contra os tipos virais 6, 11, 16 e 18. A imunização é uma das estratégias de prevenção de doenças associadas ao HPV, incluindo diferentes tipos de câncer e verrugas genitais.
Como funciona
A indicação da vacinação deve ser realizada pelo serviço de referência ou profissional de saúde responsável pelo atendimento da vítima, com registro da condição que fundamenta a indicação e consentimento do responsável legal, quando aplicável. O acompanhamento clínico e a vigilância de eventuais eventos adversos devem seguir as normas vigentes do Programa Nacional de Imunizações.
A estratégia aproveita a estrutura já existente no SUS para a vacinação contra o HPV e o atendimento às vítimas de violência sexual, incluindo serviços de referência, unidades hospitalares, Atenção Primária à Saúde e centros especializados.
A vacinação deve ser registrada como estratégia especial de vacinação, conforme as orientações do Ministério da Saúde. A indicação deve estar devidamente registrada nos sistemas oficiais, com o código correspondente à condição de violência sexual.
De acordo com a orientação do Ministério da Saúde, a dose aplicada antes dos 9 anos de idade não será considerada para o esquema básico previsto no Calendário Nacional de Vacinação. Nesses casos, a criança deverá ser revacinada posteriormente, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações.
A recomendação também estabelece que crianças que já tenham recebido a vacina contra o HPV antes da ocorrência da violência sexual não precisam ser revacinadas em razão do episódio. A estratégia busca garantir uma proteção adicional para aquelas que ainda não foram imunizadas contra os tipos de HPV contemplados pela vacina.
A inclusão das crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual considera a importância da vacinação como medida preventiva, uma vez que a vacina não constitui tratamento após a exposição ao vírus, mas contribui para a proteção contra tipos de HPV ainda não adquiridos e para a redução do risco futuro de doenças associadas à infecção.
A orientação para implantação da estratégia já foi encaminhada pela SES-PB aos municípios paraibanos, que devem disseminar as informações entre os serviços de saúde e profissionais responsáveis pelo atendimento desse público, garantindo a oferta da vacinação conforme as recomendações do Ministério da Saúde.
Por Yasmim Pessoa / CLICKPB
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