
Os impactos do Super El Niño, fenômeno de calor extremo que afeta o Planeta Terra até fevereiro de 2027 não são limitados à temperatura. Somente na Paraíba, como verificou o ClickPB, estima-se que aconteçam 420 mortes em decorrência de calor extremo provocado pelo Super El Niño entre os meses de setembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Estudiosos do assunto estimam um aumento no número de mortes em decorrência de complicações por calor extremo. A projeção se tornou pública através do relatório divulgado pelo consórcio de pesquisas Climate Impact Lab, que é formado por cientistas de instituições renomadas nos Estados Unidos (EUA) como as universidades de Chicago e Berkeley.
O estudo projeta que, entre os meses de setembro de 2026 e fevereiro de 2027, o fenômeno conhecido como “Super El Niño” causará um impacto devastador, provocando mais de 451 mil mortes excedentes relacionadas ao calor extremo em todo o planeta. O número é superior ao que se estima em um ano normal.
No Brasil, a estimativa total é de 13.300 óbitos adicionais decorrentes de complicações ligadas a altas temperaturas, posicionando o país entre os mais afetados do mundo durante o semestre.
A projeção é feita considerando a média dos períodos correspondentes entre os anos de 1996 e 2025. De acordo com as estimativas, a temperatura média global deve ficar 1,2 ºC acima do normal nos próximos meses, principalmente devido ao Super El Niño.
Dentro do cenário nacional, o estado da Paraíba surge com dados alarmantes no recorte semestral (2026/2027). As estimativas dos modelos climáticos e epidemiológicos indicam que o território paraibano registrará 420 mortes adicionais diretamente associadas ao estresse térmico e ao agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias impulsionadas pelas ondas de calor ininterruptas.
Conforme acompanha o ClickPB, o Super El Niño deve reduzir a quantidade de chuvas na Paraíba. De acordo com meteorologista consultado pela equipe de reportagem do ClickPB, as temperaturas vão ficar muito mais altas no estado, assim como a evaporação. A expectativa é de que aconteça o atraso do período chuvoso no Sertão do Estado, que geralmente ocorre no final do ano, e até mesmo diminuição do volume.
Os pesquisadores ressaltam que o choque de temperatura afeta de forma desproporcional populações expostas a vulnerabilidades socioeconômicas, idosos e trabalhadores ao ar livre. O aumento projetado nas temperaturas médias da região é encarado pela comunidade científica como uma “prévia do clima do futuro”, antecipando condições estressantes para as quais os sistemas locais de saúde precisam se adaptar com urgência.
Em escala global, o estudo aponta que o Global South (Sul Global) carrega o maior fardo das vítimas fatais, sendo liderado por países como Nigéria (31,4 mil), Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil). O Brasil aparece na 5ª posição do ranking mundial.
Como lidar com o Super El Niño
Para mitigar a perda de vidas humanas ao longo deste período crítico, especialistas recomendam que os governos estaduais e municipais adotem medidas imediatas. Os sistemas de alerta são fundamentais e podem auxiliar para que os cidadãos entendam e se planejem diante de riscos. A emissão contínua de avisos à população sobre dias de calor crítico e ondas de radiação UV deve ser feita, conforme indicação de especialistas.
Também torna-se interessante que seja feita instalação de centros urbanos de resfriamento e distribuição gratuita de água potável em áreas de grande circulação. Outra medida que pode ser adotada é o ajuste de horários para trabalhadores da construção civil e agricultura durante os picos diários de temperatura. Já em relação à saúde pública, o reforço na rede a partir da capacitação das UPAs e unidades básicas de saúde para o atendimento imediato de desidratação grave e choque térmico é fundamental.
Por Camila Bezerra / clickpb
Acompanhe o PLANTÃO DA HORA nas redes:
Grupo do Plantão da Hora no Whatzapp: https://chat.whatsapp.com/BX8tbAO2MS1BeabODp7foU
Instagram: @plantaodahoraoficial