
O corpo do recém-nascido Bryan Gabriel Guedes de Lucena, de apenas 23 dias de vida, foi sepultado na manhã desta sexta-feira (16), no município de Malta, no Sertão da Paraíba. A criança morreu após ser atingida por 24 golpes de faca, em um caso que chocou a população de Patos. Os pais biológicos, Marcos Gabriel e Mirelly Laila, ambos de 19 anos, investigados pelo crime, tiveram as prisões em flagrante convertidas em preventivas e foram encaminhados a unidades prisionais do município.
O corpo foi retirado do Núcleo de Medicina e Odontologia Legal (Numol) de Patos no fim da tarde de quinta-feira (15), após a liberação para os procedimentos fúnebres. A retirada foi realizada por José Danilo Guedes, que consta como pai da criança no registro civil e se deslocou de São Bento até Patos para resolver os trâmites necessários.
Após a liberação, o corpo foi levado para Malta, onde o velório ocorreu na residência da avó materna. O sepultamento foi realizado por volta das 9h desta sexta-feira, no cemitério local.
Entenda a relação familiar
Embora José Danilo Guedes conste na certidão de nascimento como pai de Bryan Gabriel, a paternidade biológica é atribuída a Marcos Gabriel Santos Pacheco de Alacoque, de 19 anos, e Mirelly Laila Lucena Braz, também de 19 anos. José Danilo mantinha um relacionamento com Mirelly e esteve ao lado dela durante a gestação e o nascimento da criança.
Perícia confirmou 24 golpes de faca
Segundo o chefe do Numol de Patos, Dr. Dionísio Filho, o exame pericial identificou 24 perfurações por arma branca no corpo do bebê. Os ferimentos atingiram o rosto, o tórax, o abdômen e as costas. Uma das perfurações atingiu o coração, provocando uma grave hemorragia.
Em entrevista ao programa Correio Verdade, da TV Correio, Dionísio Filho destacou a gravidade das lesões e afirmou que a criança sofreu antes de morrer.
“Um caso chocante. A equipe pericial identificou no corpo da criança 24 perfurações por arma branca. A gente pode afirmar que ele sofreu, agonizou antes da morte”, relatou o perito.
Pais permanecem presos
Na tarde de quinta-feira (15), a Justiça da Paraíba converteu em prisão preventiva as prisões em flagrante de Marcos Gabriel e Mirelly Laila. A decisão foi proferida durante audiência de custódia, após o Ministério Público solicitar a manutenção da prisão e a defesa pedir liberdade provisória.
Marcos Gabriel foi encaminhado ao Presídio Masculino Romero Nóbrega, em Patos, enquanto Mirelly Laila foi levada ao Presídio Regional Feminino, também no município.
No termo da audiência, obtido pelo Patos Online, a magistrada homologou as prisões em flagrante e acolheu o pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB) pela conversão em preventiva. A defesa havia solicitado a concessão de liberdade provisória.
"Recém-nascido indefeso com 23 dias de existência, no leito doméstico, com emprego de brutal violência e meio manifestamente cruel. Tais peculiaridades evidenciam reprovabilidade excepcional decorrente do próprio modus operandi", escreveu.
Na decisão, a juíza destacou a gravidade do crime, a necessidade de preservar a investigação e o risco de interferência na produção de provas. O documento também aponta que os dois investigados apresentaram versões contraditórias sobre a dinâmica das agressões e atribuíram um ao outro a responsabilidade pelos golpes.

Um dos pontos considerados pela magistrada foi o relato de uma testemunha segundo o qual Mirelly teria tentado alterar elementos da cena ao limpar as mãos ensanguentadas no corpo de Marcos Gabriel. A decisão também menciona a necessidade de resguardar os depoimentos de vizinhos que moram nas proximidades do local do crime.
A juíza determinou ainda a coleta de material biológico dos investigados e a realização ou juntada de exames periciais pendentes, incluindo laudos de necropsia, do local do crime, pesquisa de sangue e perfil genético. Também foi autorizada a extração pericial de dados dos telefones celulares.
Relacionamento conturbado
De acordo com o delegado Emerson Barbosa, da DHE, o casal teve um relacionamento marcado por separações e reconciliações. Conforme as informações apuradas nos interrogatórios, os dois se conheceram por meio do jogo on-line Free Fire e chegaram a morar juntos em Minas Gerais por cerca de quatro a cinco meses.
Posteriormente, retornaram à Paraíba e alugaram uma residência em Patos. À época do crime, porém, não estavam mais vivendo juntos. Segundo o delegado, a mãe havia retornado para um antigo companheiro, residente em São Bento, e foi a Patos para buscar seus pertences.
A discussão teria ocorrido enquanto ela organizava as roupas e os objetos pessoais para deixar a cidade.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer a participação de cada um dos suspeitos na morte de Bryan Gabriel.
Por: Felipe Vilar / Fonte: Patos Online
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