
O Brasil registrou 84.760 pessoas desaparecidas em 2025, o maior número desde o início da série histórica, em 2015. Dentro desse cenário nacional preocupante, a Paraíba contabilizou 929 casos ao longo do ano, passando a integrar o mapa de alerta sobre desaparecimentos no país.
Os dados fazem parte de levantamentos do Ministério da Justiça e do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e apontam média de 232 registros por dia em todo o país. Apesar do volume elevado, cerca de 60% dos casos foram solucionados ainda em 2025, segundo o monitoramento oficial.
Na Paraíba, o número representa uma taxa de 22,31 desaparecimentos por 100 mil habitantes, inserindo o estado em uma faixa intermediária no ranking nacional, mas acendendo alerta para a necessidade de ações preventivas e ampliação das buscas.
Crianças e adolescentes representam quase um terço dos casos
Entre os registros nacionais, 23.919 desaparecimentos envolveram crianças e adolescentes, o equivalente a 66 ocorrências por dia, crescimento de 8% em comparação com 2024.
O levantamento aponta ainda uma diferença de gênero nessa faixa etária: 61% dos desaparecidos são meninas, enquanto 38% são meninos. Em parte dos casos, o sexo não foi informado.
Especialistas destacam que fatores como conflitos familiares, violência doméstica, vulnerabilidade social e problemas de saúde mental estão entre as causas frequentes dos desaparecimentos.
Predominância masculina entre adultos
Considerando todas as idades, o perfil nacional mostra predominância masculina, com 54.102 homens desaparecidos, enquanto 30.050 registros envolvem mulheres.
Embora muitos casos sejam solucionados, milhares de famílias ainda convivem com a incerteza sobre o paradeiro de parentes desaparecidos, realidade que também atinge moradores da Paraíba.
Tecnologia ajuda, mas integração ainda é desafio
O uso de tecnologia tem contribuído para localizar desaparecidos. Em São Paulo, por exemplo, 40 mil câmeras com reconhecimento facial ajudaram a encontrar 149 pessoas.
Outro instrumento utilizado é o Amber Alert, implantado no Brasil em 2023 para casos de alto risco envolvendo crianças e adolescentes. O sistema emite alertas emergenciais em redes sociais e plataformas digitais dentro de um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que a falta de integração entre bancos de dados estaduais ainda dificulta a localização rápida de vítimas e prejudica a elaboração de políticas públicas eficientes.
Paraíba integra rede nacional de monitoramento
Na Paraíba, os registros são alimentados no Painel de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, ferramenta que reúne dados das forças de segurança e auxilia nas buscas.
Embora o estado não esteja entre os líderes em números absolutos, os 929 casos registrados em 2025 reforçam a necessidade de investimentos em prevenção, investigação e políticas de proteção social, especialmente voltadas para crianças e adolescentes.
Enquanto estados como São Paulo concentram 24% dos registros nacionais, com 20.546 casos, a Paraíba aparece em posição intermediária, mas dentro do cenário de crescimento observado em todo o país.
A expectativa de especialistas é que a integração tecnológica e o fortalecimento de políticas públicas possam reduzir os números nos próximos anos e acelerar o reencontro de famílias separadas pelo desaparecimento.
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