Em um mundo em que o acesso ao celular se tornou quase universal, manter crianças e adolescentes longe das telas é um desafio cada vez maior para as famílias. Há anos especialistas alertam para os impactos da exposição excessiva à tecnologia no desenvolvimento infantil, mas chega um momento em que, seja por necessidade da rotina ou pelos pedidos dos próprios filhos, muitos pais se veem diante da decisão de oferecer o primeiro aparelho.

Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 88,9% das crianças com 10 anos ou mais já têm celular. O número indica que o debate não se resume ao uso do aparelho em si, mas principalmente à forma como ele é utilizado — com limites, supervisão e orientação adequada.

Segundo o médico André Ceballos, especialista em desenvolvimento infantil e criador do projeto da Lei Tempo de Tela, a decisão de dar um celular a uma criança precisa ser bem planejada e acompanhada de perto pela família. “O cérebro infantil está em formação e é extremamente sensível a estímulos excessivos. Quando a exposição às telas acontece sem regras, ela pode prejudicar habilidades fundamentais, como atenção, linguagem, sono e interação social”, afirma.

Para o especialista, mais importante do que definir a idade é estabelecer como será o uso. “A presença dos pais, o diálogo e a definição de regras fazem toda a diferença para que a tecnologia seja uma aliada, e não um risco. Além disso, é importante esperar que a criança tenha mais maturidade física e emocional. O ideal é dar um celular, com supervisão, entre os 12 e 14 anos”, orienta.

Especialistas recomendam algumas medidas para que o uso do celular aconteça de forma mais saudável:

 

Limite de tempo

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) orienta que crianças de 6 a 10 anos tenham, no máximo, duas horas de tela por dia fora do período escolar, sempre com supervisão de um adulto. Acompanhar de perto o que a criança acessa e respeitar o tempo recomendado são atitudes fundamentais.

 

Evite usar o celular como recompensa ou punição

Transformar o aparelho em prêmio por bom comportamento ou retirá-lo como castigo pode reforçar uma relação emocional desequilibrada com a tecnologia, aumentando a ansiedade e a sensação de dependência.

 

Priorize o diálogo e a educação digital

Conversas frequentes sobre o uso da internet ajudam a criança a desenvolver senso crítico e responsabilidade. Temas como privacidade, exposição excessiva, cyberbullying e contato com conteúdos inadequados devem fazer parte desse diálogo.

 

Quem é o especialista

Neurocirurgião, André Ceballos é diretor técnico do Hospital São Francisco, referência no diagnóstico e tratamento de crianças com transtornos do desenvolvimento. O médico atua na identificação precoce de condições que possam comprometer o desenvolvimento infantil e também se dedica a projetos de divulgação científica e conscientização sobre marcos do desenvolvimento, com foco em políticas públicas e educação em saúde.

 

Por O GLOBO — Rio de Janeiro / Foto: Freepik

 

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