
A audiência judicial entre o jovem atleta de judô do Flamengo que alega ter sido espancado em um "batizado" durante um treino e o homem apontado como responsável pela agressão terminou sem acordo entre as partes nesta terça-feira (14).
A vítima, de 14 anos, tem 10 dias para trazer mais provas à Justiça e analisar uma proposta de transação penal. A previsão é que qualquer pena futura seja convertida em indenização ou serviços comunitários.
O caso foi registrado em uma delegacia em março de 2022 e é investigado como lesão corporal.
A investigação estava na 15ª DP (Gávea) e só deve voltar à Polícia Civil se o juiz do caso e o Ministério Público entenderem que é necessária mais alguma diligência para esclarecer os fatos.
O que dizem o Flamengo e o suposto agressor
O Flamengo falou nesta quarta-feira que não vai se pronunciar sobre o caso.
Procurado, o homem apontado pelo adolescente como agressor não respondeu até a publicação desta reportagem.
Entenda o caso
O g1 teve acesso ao registro de ocorrência e ao laudo do exame de corpo de delito, em que são detectadas lesões por "ação contundente", descrita pela vítima no inquérito como enforcamento com quimono, nariz tampado, tapas e chutes.
Depois do registro na 22ª DP (Penha), em março, o inquérito foi encaminhado para a 15ª DP, na Gávea, bairro onde fica a sede do Flamengo.
A vítima diz que o agressor é o judoca Daniel Nazaré, residente em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, de 21 anos. Ele não foi ouvido até o momento no inquérito.
O laudo de exame de corpo de delito do Instituto Médico Legal traz a descrição que também consta no registro, de que "um outro atleta começou a fazer 'brincadeiras' agressivas como tapas no rosto, apertando o nariz, enforcando, no dia 17.03.2022", salientando que a vítima estava nas dependências do clube.
O exame detectou:
- "equimose arroxeada medindo cerca de 10mm x 10mm em ponta do nariz à esquerda";
- "escoriação medindo de 10mm x 10mm em região temporal esquerda, com crosta hemática".
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Laudo de corpo de delito aponta lesões corporais em lutador do Flamengo — Foto: Reprodução
O documento conclui que há vestígio de lesão corporal por ação contundente, sem risco à vida.
O registro de ocorrência informa que a vítima pratica judô desde os 3 anos de idade e, desde os 5, treina no Flamengo, sendo graduado com a faixa roxa.
Declarou também que, por estar avançado na arte marcial, treina com frequência com atletas mais velhos e graduados. A vítima declarou que já conhecia Daniel Nazaré (faixa preta) e que já tinha treinado com ele algumas vezes.
Um trecho do registro detalha a "lesão corporal provocada por socos, tapas e pontapés" e diz que a vítima quase perdeu a consciência:
Após as agressões, de acordo com o laudo do exame de corpo de delito, a vítima chegou a ser atendida no Hospital Getúlio Vargas. Foi feita uma tomografia computadorizada, que não mostrou alteração.
Por Henrique Coelho e Vicente Seda, g1 Rio e ge