
Coutinho entra, melhora o time, e o Brasil vence o Equador. Foi a história da vitória de um ano atrás, na estreia de Tite, caprichosamente repetida na Arena do Grêmio. Dessa vez, protagonista de uma dura negociação entre Liverpool e Barcelona, o meia fez até gol. Gol não. Um golaço na vitória por 2 a 0, que deu à Seleção o título simbólico das eliminatórias. Com ele no lugar de Renato Augusto, o técnico trocou o 4-1-4-1 pelo 4-2-3-1. O jogo, que não fluía, passou a andar porque Coutinho deu ritmo, deu aula de como jogar na posição.
Um time lento, uma torcida gelada. Pareceu uma viagem ao tempo em que Tite não era técnico. O Brasil teve duas chances, com Paulinho e Gabriel Jesus, mas teve mais erros do que méritos. Neymar, por todas as partes do campo, não fez o jogo fluir. Cavou um cartão amarelo para Fidel Martínez e conseguiu o seu ao fazer falta em Velasco. Com exceção dos zagueiros, seguros como sempre, ninguém jogou o que costuma jogar na equipe de Tite. O 0x0 foi justo.
Tite voltou com Thiago Silva no lugar de Miranda. Na zaga, nenhuma mudança, ambos jogaram bem. Mas o Brasil ganhou qualidade no primeiro passe. Não à toa, o técnico o chama de “zagueiro-construtor”. Mas a partida só mudou mesmo quando Coutinho entrou no lugar de Renato Augusto e mostrou a Neymar como se faz. Enquanto o atacante do PSG abusou do individualismo, o meia do Liverpool (ou do Barça?) tabelou, triangulou, desfilou. Com ele em campo, Paulinho fez 1 a 0 após cobrança de escanteio de Willian. Depois, com velocidade e habilidade, Coutinho tabelou com Gabriel Jesus e definiu a vitória.
Dos cinco titulares, apenas Marcelo levou cartão amarelo, e será substituído por Filipe Luís na partida contra a Colômbia. Em compensação, Neymar e Gabriel Jesus se juntaram a Miranda, Casemiro, Paulinho, Renato Augusto, Filipe Luís, Fernandinho e Giuliano. Todos pendurados.
A Seleção não só manteve a liderança, como garantiu o primeiro lugar das eliminatórias. Abriu 11 pontos (36 a 25) da vice-líder, a Colômbia, e não poderá mais ser alcançada nas três rodadas restantes. O Equador caiu para oitavo, fora da zona de classificação à Copa do Mundo, com 20, ultrapassado pelo Paraguai, que foi a 20, e pelo Peru, que foi a 21.
Ainda faltam três rodadas para o fim das eliminatórias, mas o desempenho brasileiro já é histórico. Esta é a melhor campanha da Seleção no atual formato da competição. A equipe chegou a 36 pontos e superou 2006 e 2010 (34 em ambas). O Brasil também é a primeira seleção a ganhar nove seguidas nas eliminatórias sul-americanas.
Na terça-feira, o Brasil enfrentará a Colômbia, em Barranquilla, às 17h30 (horário de Brasília), enquanto o Equador receberá o Peru, às 18h, em Quito.
Globo Esporte