
Dia 14 de fevereiro de 2026. Uma data que se fez eterna! A ordem de largada já surgiu como um sinal. O nome de Lucas Pinheiro apareceu primeiro, à frente dos outros 80 adversários. Foi o brasileiro de 25 anos quem deu início à prova do slalom gigante, neste sábado, em Bormio, na Itália. E, dali em diante, não largou mais a primeira colocação. Com duas descidas que beiraram a perfeição, sob uma neve que caía persistentemente e temperatura de 3ºC, o esquiador terminou com tempo total de 2min25s00, 0s58 à frente do segundo colocado, o suíço Marco Odermatt. Resultado que garante um ouro histórico, a primeira medalha do Brasil em Olimpíadas de Inverno, e deixa o nome de Lucas gravado no rol de ídolos do esporte verde-amarelo.
– É inexplicável. Eu não sei como colocar as minhas sensações em palavras. Só queria compartilhar com todo mundo que está me assistindo no Brasil. Isso pode ser fonte de inspiração para crianças da próxima geração. Não importa de onde você é, as roupas que veste, a cor da sua pele. O que importa é o que existe dentro. Vim com o coração e a força brasileira para levar essa bandeira para cima do pódio. É do Brasil! – comemorou Lucas, em entrevista ao repórter Guilherme Roseguini, da TV Globo.
Outro brasileiro em ação no slalom gigante, Giovanni Ongaro terminou na 31ª colocação, com tempo total de 2min34s15. Foi a primeira participação olímpica do esquiador de 22 anos.
O ouro histórico de Lucas 🥇
Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas é filho de mãe brasileira. Trocou a nacionalidade no esqui alpino em 2024, depois de integrar a delegação norueguesa nas Olimpíadas de Pequim 2022, quando não subiu ao pódio.
Desde que passou a defender a bandeira brasileira, Lucas conquistou medalhas em etapas da Copa do Mundo, mas o principal objetivo sempre foi elevar o patamar olímpico de um país que mal tem neve. Missão cumprida nos Jogos de Milão-Cortina, com direito a hino do Brasil no lugar mais alto do pódio.
– Eu me senti muito conectado com meu coração. Povo do Brasil todo assistindo. Tentei esquiar do jeito que sou, e o resultado foi bom. Vou me reconectar com a minha equipe, fazer as modificações que a gente precisa preparar até a segunda descida. A neve será totalmente diferente, vai estar muito mais "quebrada". Sei como fazer isso muito bem. Vou esquiar com meu coração – disse Lucas.
De fato, o coração esteve presente na descida final. Mas a mente também fez diferença. Concentrado e focado, o brasileiro queria evitar qualquer tipo de erro, dosando o ritmo. Foi apenas o 30º esquiador a entrar na pista (os 30 melhores da primeira tentativa competiram em ordem inversa na segunda). Teve que lidar com condições diferentes, porque nevava bastante, e o percurso já carregava marcas do trabalho de outros atletas. Nada que abalasse a confiança e o desempenho de Lucas, que registrou 1min11s08, com somatório de 2min25s00.
– (A segunda descida) Foi uma guerra. Eu estava puxando, sempre tentando achar velocidade para descer num ritmo bem rápido. Como estávamos falando, a neve fica completamente diferente entre as descidas. É preciso ajustar, e eu consegui isso, encontrar um equilíbrio – explicou o esquiador.
O ouro estava garantido. Só restava comemorar. Lucas se jogou na neve e deixou a emoção tomar conta. Lágrimas incontidas de quem escreveu a história e nunca será esquecido pelos milhões de brasileiros que aprenderam sobre esqui alpino. A partir de agora, é possível dizer: o Brasil tem medalha nos esportes de neve. O Brasil tem um campeão olímpico de inverno!
A festa de Lucas, contudo, não poderá se estender muito. O atleta voltará a competir na próxima segunda-feira (16), em busca de uma medalha também no slalom. Será outra prova técnica do esqui alpino, com uma descida mais curta e portas (os obstáculos da pista) mais próximas umas das outras – aproximadamente 13 metros de distância. A disputa exigirá uma precisão ainda maior nas curvas dos esquiadores, e Lucas Pinheiro entende bem do assunto. Por isso, o brasileiro de Oslo tem chances de colocar a bandeira verde-amarela no pódio pela segunda vez.
Giovanni Ongaro é 31º
Assim como Lucas, Giovanni Ongaro nasceu no exterior – mais precisamente na cidade italiana de Clusone. Filho de mãe brasileira, passou a vestir verde-amarelo em 2024/2025. Terminou a primeira descida como 35º colocado nas Olimpíadas de Milão-Cortina e melhorou o desempenho na segunda tentativa. Com somatório de tempo de 2min34s15, assegurou a 31ª posição entre 81 competidores.
O pódio do slalom gigante 🎖
🥇 Lucas Pinheiro - Brasil - 2min25s00
🥈 Marco Odermatt - Suíça - 2min25s58
🥉 Loic Meillard - Suíça - 2min26s17
Por Redação do ge — Bormio, Itália
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