Após muita luta nos bastidores, a final da Taça Guanabara neste domingo vai ter as torcidas de Flamengo e Fluminense. Como forma de celebrar a vitória no tribunal, Eduardo Bandeira de Mello e Pedro Abad, presidentes dos dois clubes, concederam entrevista coletiva na manhã deste sábado, nas Laranjeiras, sede do Tricolor. O primeiro a falar foi o mandatário do Fluminense. Segundo ele, a discussão teve um final feliz.

- Estamos contentes com o desfecho. Tivemos atitudes no limite para a torcida ir ao jogo. Isso não é exclusivo ao Flu e ao Fla, mas a todos os clubes. É para manter a tradição de ter as torcidas cantando nos estádios. Isso deve ser preservado. Espero que isso seja constante daqui para frente. Foi um trabalho conjunto com o Flamengo, temos de agradecer ainda ao Eurico Miranda (presidente do Vasco) e ao Rubens Lopes (presidente da Ferj) que nos ajudaram.

Bandeira também comentou sobre a decisão deste domingo ser com a torcida dividida. O presidente do Flamengo relembrou o tempo que ia ao Maracanã com torcida mista e ressaltou que a tradição deve ser mantida. Para ele, a postura do Fluminense foi louvável.

- Sempre fui criado no Maracanã, morava perto, assistia a todos os jogos do Flamengo. Sempre com torcida mista. Sempre fui ao estádio com meus amigos tricolores, vascaínos, botafoguenses e nunca brigamos. A tradição de torcida mista deve ser preservada, faz parte da nossa cultura. O desembargador reconheceu isso para a nossa alegria. Isso nos dá responsabilidade. Temos de manter e ampliar a campanha pela paz nos estádios. Nós merecemos a torcida mista. Quero agradecer a postura do Fluminense, do presidente Abad. Ele foi firme, teve coerência ímpar. Ele poderia ter tido uma decisão após ter vencido o sorteio do mando, mas esteve ao nosso lado. O Flamengo fez o mesmo contra o Vasco, pois o mando era nosso. O presidente Eurico está conosco nessa campanha pela paz.

 

Confira outros trechos da coletiva dos dois presidentes:

Pedro Abad:

 

Ingressos
- Como mandante... o Estatuto do Torcedor prevê um prazo para a venda. Como a gente aguardou o desfecho judicial, nós seguramos a venda. É natural que haja uma grande demanda na compra. É um efeito colateral menor na venda de uma torcida só. Levamos ao limite a abertura da venda para restaurar o cenário.

 

Termo de Ajustamento de Conduta
- O Ministério Público tentar propor um TAC sobre torcida organizadas para o clube cumprir fica esquisito. Propor penalidade é pior ainda. O clube não é autoridade para impedir isso. Não é o clube que adota a atitude ilícita. Sem falar na incapacidade de o clube gerar essa situação. O TAC é inadequado.

 

Decisão judicial
- Atlético-MG e Cruzeiro fazem partidas com torcida única. Acho que esse pioneirismo de Flu e Fla pode ajudar os outros clubes. O desembargador entendeu os esforços feitos pelos clubes e pela federação. A torcida única não quer dizer nada quanto à segurança. Hoje em dia se marca confusão por rede social. A torcida única incita que a que não vai entrar vá ao estádio.

 

Contato com torcidas organizadas
- Não fizemos contato. É uma sugestão boa, realmente. As organizadas têm a sua importância. Mas há uma minoria que desvirtua. Espero que elas deem exemplo de conduta. Têm de se portar em um estádio que não é de Flamengo e Fluminense. Sem quebrar banheiro, sem quebrar nada. Eles precisam disso também para melhorar a sua imagem para mudar o tratamento recebido.

 

Próximos clássicos
- Um leão de cada vez. Se amanhã houver um exemplo de comportamento, sem violência e sem destruição do patrimônio público, o argumento para termos as duas torcidas cresce. Cabe aos torcedores o papel principal. Eles têm de mostrar que isso pode se perpetuar.

Eduardo Bandeira de Mello:

 

Ingressos
- Os torcedores compreendem que é uma situação atípica. Vai dar tudo certo. Antigamente, não havia venda antecipada, e o estádio lotava. Todos vão compreender.

 

Termo de Ajustamento de Conduta
- Apesar de os clubes contestarem os termos do TAC, estaremos à disposição do MP para discutir medidas para coibir a violência. Sempre defendi que a violência seja atacada na raiz, ou seja, nas pessoas físicas que cometem atos ilícitos. Tem de se aplicar as penas para resolver a questão.

 

Decisão judicial
- Na decisão do desembargador, há a fundamentação. Ele entende que torcida única não é solução e pode gerar problema. Penso assim. Torcida única não garante a segurança fora do estádio. É isso. A campanha da paz vai continuar. Conto com o Fluminense, o Vasco já se manifestou também. Todos devem se engajar.

 

Contato com torcidas organizadas
- Não houve da parte do Flamengo, mas aproveito agora para pedir. Sou fã do movimento das organizadas lá no começo, porém, ele foi desvirtuado por alguns elementos. Gostaria muito que eles se engajassem na campanha pela paz. Não vamos aceitar a violência. Vamos cuidar do estádio, ele é público, está sob concessão do Botafogo.

 

 

Por Hector Werlang e Raphael Zarko

Rio de Janeiro