
Astro da história do rock, Little Richard morreu aos 87 anos, na manhã deste sábado (9/5). A notícia foi confirmada pelo filho do artista, Danny Penniman, à revista "Rolling Stone". A causa da morte ainda não foi divulgada.
Pioneiro do rock n’ roll, nascido na Georgia em 5 de dezembro de 1932, incansável músico, pianista e intérprete teatral, Richard Wayne Penniman, como constava em sua identidade, havia anunciado sua aposentadoria em 2013, quando completou 80 anos.
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Um dos nomes sagrados do ritmo conduzido pelas guitarras elétricas, Richard considerava que o nascimento do rock havia acontecido com o lançamento do clássico "Tutti Frutti", obra com a sua assinatura que estourou nas paradas de sucesso num Estados Unidos racista e puritano da década de 1950.
"Acredito que esse será o meu legado, pois, quando eu comecei no show business, não havia nada parecido com o rock n’ roll", afirmou, em entrevista recente ao El País.
Little Richard empolgou uma legião de jovens durante a década de 1950 ao lado de Jerry Lee Lewis e outros músicos que dilaceraram regras e abriram o caminho para mitos como Elvis Presley, os Beatles, Bob Dylan, os Rolling Stones, James Brown, entre muitos outros.
Ele vendeu mais de 30 milhões de discos em todo o mundo, e sua influência sobre outros músicos foi igualmente impressionante, de Otis Redding a Creedence Clearwater Revival e David Bowie.
Um famoso grito de guerra se tornara um marco em seus shows: "A-wop-bop-a-loo-bop-a-wop-bam-boom", dizia um dos versos de "Tutti Frutti".
Revolução cultural
Esse grito, aliás, deu mesmo início a uma revolução cultural e comportamental na América, alçando o rock à categoria de maior fenômeno cultural da segunda metade do século 20. Todas as gerações posteriores tiveram a influência de Little Richard, de forma direta ou indireta.
Os brasileiros assistiram às performances de Richard em 1994 e em 1997. Em entrevista ao GLOBO, publicada em 1997, o cantor falou sobre a dualidade que marcou sua vida, o rock e a religião, lembrando-se do período em que abandonou a música pop para se ordenar como pastor protestante:
— Hoje, eu separo bem essas duas coisas, Deus e o rock and roll, algo que não conseguia fazer na minha juventude. O rock é minha vida, meu trabalho, mas também acredito em Deus. Posso fazer um grande show e no dia seguinte ir à igreja rezar.
Conflito com religião
Richard Wayne Penniman era o terceiro de12 filhos de Charles Penniman, um fabricante clandestino de bebidas alcoólicas, e Leva Mae. O pequeno Richard cresceu numa família religiosa na qual cantar fazia parte de suas vidas.
A liberdade que a música lhe dava contrastava com a privação que a religiosidade lhe impunha, conflito que levaria por toda sua vida. Aprendeu a tocar saxofone e piano na adolescência, mesmo período em que começou a perder o interesse pela escola e a tocar em várias bandas.
Em 1948, foi expulso de casa pelo pai, que acreditava que o comportamento de seu filho não estava de acordo com as leis cristãs. Por várias vezes, Richard recebeu punições por gostar de se vestir com as roupas de sua mãe.
Até gravar seu primeiro disco, em 1951, Richard se apresentou no "Medicine Show do Dr. Hudson", na boate Tick Tock Club, além de vários grupos de vaudeville, como Sugarfoot Sam, do Alabama (no qual aparecia vestido de mulher e era chamado de “Anabela”), Tidy Jolly Steppers, King Brothers Circus e Broadway Follies.
O Globo