
O prêmio Nobel da Paz de 2020 foi concedido ao Programa Mundial de Alimentos da ONU, que combate a fome no mundo, nesta sexta-feira (9).
Segundo a Academia Sueca, o programa foi premiado "pelos seus esforços para combater a fome, pela sua contribuição para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como força motriz nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito".
A organização atua em situações de emergência e em países afetados por conflitos, onde há mais risco de desnutrição.
O porta-voz do Programa Mundial de Alimentos, Tomson Phiri, disse que o prêmio para a agência "é um momento de orgulho". Ele participava de um encontro semanal da sede das Nações Unidas em Genebra quando foi informado do Nobel.
Segundo a organização do Nobel, o programa já seria um merecedor do prêmio sem a pandemia, mas com a Covid-19 os motivos ficaram mais evidentes: a comida está menos disponível. Nesse cenário, "o programa da ONU demonstrou uma habilidade impressionante de intensificar seus esforços", afirmou o comitê.
"Este ano nós tivemos que atender a uma convocação para agir", disse Phiri, se referindo ao atendimento às vítimas da fome durante a pandemia do novo coronavírus.
Para decidir, a organização levou em conta que a cooperação multilateral é necessária para combater a fome e parece haver falta de respeito ao multilateralismo no passado recente.
O órgão ligado à ONU é a maior entidade que combate os problemas de fome e promove segurança alimentar no mundo --no ano passado, o Programa de Alimentos deu auxílio a quase um milhão de pessoas, em 88 países.
O vencedor do Nobel é decidido por um comitê eleito pelo parlamento da Noruega.
Vencedores de outros anos
Outras 134 pessoas ou instituições já receberam esse prêmio no passado. Em 2019, o vencedor foi Abiy Ahmed, o primeiro-ministro da Etiópia. No ano anterior, Denis Mukwege, um congolês, e Nadia Murad, uma iraquiana ganharam o Nobel da Paz (os dois são militantes que combatem o fim da violência sexual em guerras e conflitos armados).
Juan Manuel Santos, o ex-presidente da Colômbia, foi o último latino-americano que levou o prêmio.
Houve outros anos em que o vencedor foram instituições: em 2012, foi a União Europeia; no ano seguinte, a Organização para Proibir Armas Químicas e em 2017, a Campanha Internacional pra Abolir Armas Nucleares.
Neste ano já foram entregues os seguintes prêmios:
- Literatura: Louise Glück
- Física: Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez
- Química: Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna
- Medicina: Harvey J. Alter, Michael Houghton e Charles M. Rice
Na segunda-feira (12) será anunciado o Nobel de economia, a última premiação de 2020.
G1