
Doze milhões de ucranianos tiveram de deixar suas casas. Outros dois milhões já cruzaram a fronteira. Entre esses, mais de um milhão são crianças, que também abandonaram a escola, segundo o Unicef. Veja mais informações na reportagem em vídeo acima.
“O perfil dessas pessoas é basicamente composto por mulheres, crianças e também pessoas idosas, porque homens entre 18 e 60 anos não estão sendo autorizados a deixar o país”, explica Luiz Fernando Godinho, porta-voz do Acnur no Brasil.
O repórter Estevan Muniz conversou com pais e voluntários que estão fazendo tudo o que podem para proteger os pequenos do trauma da guerra.
“Eu não tenho resposta, eu não posso explicar para a minha filha”, diz Catherine, mãe de Sofia, de 6 anos. Ela aprendeu português para fazer negócios com o Brasil.
Em Kharkiv, uma das primeiras cidades sob ataque no início da invasão russa à Ucrânia, mãe e filha tiveram que ir para um abrigo.
“Nós estamos preparadas para ficar não sei quanto tempo”, contou Catherine.
Enquanto isso, Dnipro, a três horas de Kharkiv, recebia quem fugia da cidade. Voluntários improvisaram um abrigo em uma pousada. Transferiram 35 crianças de um lar em Kharkiv. Doze órfãs.
“Quando lançavam só foguetes era suportável, mas aí vieram as bombas dos aviões. Foi quando o administrador do lar decidiu retirar as crianças”, relatou Olga, coordenadora do orfanato.
No abrigo, as crianças recebem comida e cuidados. Tudo com a ajuda de doações.
Mas, agora, a guerra está cada vez mais perto de Dnipro e muitas famílias estão indo embora da cidade também. Na estação de trem, crianças, como a Arina, que tem 6 anos, têm de dizer adeus. O pai dela, Dmitri, é veterinário e vai ajudar na assistência médica.
“Minha filha vai para a Alemanha. Ela ficou seis dias sob bombardeio em Kharkiv, sem sair, sem comida, sem água. Dois dias atrás, consegui tirá-la de lá”, contou Dmitri.
O repórter Estevan Muniz perguntou como ele se sentia, despedindo da filha.
“Eu não penso nisso. Primeiro eu preciso colocá-la em um trem. Vou pensar nisso depois. A primeira coisa é mandá-la embora. Eu vou lidar com tudo depois. Ela é muito pequena, não entende muito bem o que aconteceu. E isso pode ser uma coisa boa”.
A guerra tem separado famílias em toda a Ucrânia. Catherine e Sofia também tiveram que se despedir do pai, que ficou para lutar. Elas conseguiram fugir da Ucrânia, na semana passada, e chegaram a Bucareste, capital da vizinha Romênia. Mas ainda vão viajar mais de mil quilômetros até Viena, na Áustria, para encontrar familiares.
“Só uma coisa que eu pedi de Deus: trazer a minha filha para outro lugar, segura. Para dar possibilidade de outra realidade para a minha filha”, diz Catherine.
Desde o começo da invasão, 79 crianças e adolescentes morreram na guerra, segundo o governo ucraniano.
Catherine e Sofia finalmente chegaram a Viena, na Áustria.
“Eu disse para ela que com certeza ela vai encontrar o pai dela, e tudo vai dar certo, mas não agora. Vamos ver na distância do tempo como ela vai sobreviver a isso. Ela pergunta sobre a situação no país. Ela lembra do barulho das sirenes e das bombas também. Eu acho que ninguém pode esquecer isso na vida inteira”, lamenta Catherine.
Por Fantástico