Prêmio Nobel da Paz vai para ativista iraniana Narges Mohammadi

A ativista iraniana Narges Mohammadi venceu o Prêmio Nobel da Paz 2023, anunciado nesta sexta-feira (6).

Atualmente presa, Mohammadi, que é engenheira e também já escreveu em jornais de vanguarda, vem liderando a luta das mulheres no Irã contra a opressão imposta pelo atual regime. Ela cumpre pena de dez anos em um presídio em Teerã.

Mas a luta de Narges Mohammadi, de 51 anos, é ainda mais antiga. Forte defensora da abolição da pena de morte no Irã, um dos países que mais utiliza esse método de punição, já foi presa seis vezes.

Mais atualmente, ela se tornou um dos principais nomes da revolução que começou com a morte de Mahsa Amini.

Amini era uma jovem de 22 anos que viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade - que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.

Ela foi presa por "uso incorreto" do véu, segundo a polícia iraniana. Dois dias depois, sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça, e morreu no hospital.

A morte desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã, acusado de oprimir mulheres.

Mohammadi está atualmente presa e não pode receber visita. Ainda assim, nesse período, conseguiu publicar um artigo, publicado pelo jornal "The New York Times", no qual disse que "quando mais nos prendermos, mais forte estaremos".

 

"Narges é uma defensora dos direitos humanos e uma pessoa que luta pela liberdade. Nós queremos apoiar sua luta corajosa e reconhecer milhares de pessoas que se manifestaram contra o regime teocrático de repressão e discriminação que tem como alvo as mulheres no Irã", declarou a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen, que fez o anúncio do prêmio.

 

Mohammadi é a 19ª mulher vencedora do Nobel da Paz.

O governo do Irã ainda não havia se manifestado sobre a premiação até a última atualização desta reportagem.

Ganhadora do prêmio Nobel — Foto: Reprodução/Twitter

Ganhadora do prêmio Nobel — Foto: Reprodução/Twitter

 

Antes do anúncio, o nome de Narges Mohammadi era um dos mais cotados nas principais casas de apostas do prêmio, assim como o do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e do opositor russo Alexei Navalny, também atualmente preso.

Mas especialistas apontavam as duas opções como pouco provável, por conta dos vencedores do ano passado. Em 2022, o Nobel da Paz foi para a ativista de Belarus Ales Bialiatski, a organização internacional russa pelos Direitos Humanos Memorial e a organização ucraniana Centro para as Liberdades Civis.

 

Por g1

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