
Um novo estudo confirmou pela primeira vez a associação entre o consumo de cigarros e a depressão. Os pesquisadores descobriram que a depressão ocorre com mais frequência ao longo da vida de fumantes atuais e ex-fumantes do que entre aqueles que nunca fumaram.
"Embora a associação entre tabagismo e depressão esteja bem estabelecida, os mecanismos subjacentes a essa ligação ainda são pouco compreendidos. Em nosso estudo, examinamos, portanto, em particular, as relações dose-resposta e fatores temporais, como a idade de início e o tempo desde a abstinência do tabagismo", relata Maja Völker, doutoranda do Departamento de Epidemiologia Genética em Psiquiatria do Instituto Central de Saúde Mental (CIMH).
Os dados, obtidos do estudo de maior duração da Alemanha, chamado de Coorte Nacional Alemã (NAKO), também indicaram que quanto maior o tempo tiver passado desde o último cigarro, menor o risco de desenvolver depressão.
Além disso, quanto mais cigarros fumados por dia, mais graves eram os sintomas depressivos atuais (0,05 sintomas a mais por cigarro adicional). O início tardio do tabagismo esteve associado a um início mais tardio do primeiro episódio depressivo (0,24 anos a mais no início da doença por ano a mais de início do tabagismo).
Parar de fumar também teve um efeito positivo: quanto mais tempo se passou desde o início do tabagismo, mais tempo havia se passado desde o último episódio depressivo, em geral (0,17 anos por ano de abstinência do tabaco).
O estudo foi liderado pelo Instituto Central de Saúde Mental (CIMH) em Mannheim, analisou mais de 170 mil pessoas e foi publicado na revista BMC Public Health. Os participantes tinham idades entre 19 e 72 anos, dentre os quais, 50% eram mulheres.
A equipe de pesquisa separou essas pessoas em três grupos principais: 81.775 não fumantes, 58.004 ex-fumantes e 34.111 fumantes atuais, e foram analisados o tempo decorrido do hábito de fumar e o número de cigarros fumados por dois grupos.
Dessa forma, eles observaram que a depressão se apresentava de forma mais comum entre fumantes atuais e ex-fumantes do que entre não fumantes ao longo da vida.
"Essas diferenças foram particularmente acentuadas na faixa etária de 40 a 59 anos. Isso reforça a ideia de que, além dos fatores sociais, os efeitos temporais podem desempenhar um papel na interação entre o tabagismo e a saúde mental", afirma Carolin Marie Callies, doutoranda da Cátedra de Psicologia da Saúde da Universidade de Mannheim.
Por outro lado, os pesquisadores não analisaram outros produtos provindos do tabaco além do cigarro, como cachimbos, charutos e cigarrilhas.
Por O GLOBO — Rio de Janeiro
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