
O delegado geral de Polícia Civil, Isaías Gualberto, disse que é praticamente impossível conseguir dedicar um efetivo exclusivamente feminino de policiais civis nas delegacias para o atendimento às mulheres vítimas de violência. Ele relatou que o projeto do deputado Ricardo Barbosa (PSB) é louvável, mas que nenhuma polícia do Brasil e do mundo teria estrutura para esse atendimento ser feito exclusivamente de mulheres para mulheres. As declarações foram dadas em entrevista à rádio Correio FM, na tarde desta sexta-feira (26).
"É louvável a iniciativa. A legislação federal foi promulgada no ano passado e, basicamente, nesses mesmos moldes. Mas, com o detalhe que lá (na lei federal) dizia (que o atendimento deveria ser feito) "preferencialmente" (por policial feminina). Na lei promulgada hoje (na Paraíba), ela diz "deverá". Essa obrigação é praticamente impossível, não só para a Polícia Civil da Paraíba, mas nenhuma polícia do Brasil e nem do mundo tem condições porque você precisaria ter efetivo exclusivamente feminino para atender."
Ele ainda destacou a questão de equipe disponível em cada município. "A gente trabalha com o imponderável. Na cidade que não tem Delegacia da Mulher não dá para dizer para o criminoso não cometer um 'crime de Lei Maria da Penha'."
O delegado Isaías Gualberto também enfatizou os casos de homens embriagados e sob efeito de drogas ilícitas. "Dentro das Delegacias da Mulher você tem que ter um efetivo masculino porque muitas vezes, e isso está nas razões do veto do governador, se tem autores do crime embriagados ou drogados e é preciso de um aparato masculino para fazer esse atendimento."
O projeto do deputado Ricardo Barbosa, líder do governo na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), foi vetado pelo governador João Azevêdo, mas foi promulgado nesta sexta-feira (26) pela Casa.
CLICKPB