O dono de um dos ônibus que levou manifestantes golpistas para os atos do dia 8 de janeiro em Brasília é um empresário bolsonarista ligado à deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Natural de Franca, São Paulo, Maurício Nogueira concorreu ao cargo de deputado estadual no estado pelo Republicanos nas últimas eleições.

Durante a campanha, ele publicou em suas redes sociais imagens de eventos em conjunto com Zambelli, além de santinhos ao lado da deputada bolsonarista. Ele recebeu R$ 45.335 do fundo partidário do Republicanos para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), mas teve apenas pouco mais de cinco mil votos.

Nogueira exibe ainda em suas redes sociais fotos com o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro astronauta Marcos Pontes, eleito senador em São Paulo. Porém, a maioria das imagens é com Zambelli, deputada que é alvo de investigação no STF por apoiar atos antidemocráticos.

“Lealdade acima de tudo. Estamos Juntos nessa, Carla Zambelli", escreveu Maurício Nogueira numa publicação.

O GLOBO entrou em contato com Nogueira para questioná-lo sobre o transporte de golpistas, porém ele afirmou que estava em trânsito e não poderia responder. Após desligar a ligação ele não retornou mais aos pedidos da reportagem.

Segundo publicou a "Agência Publica", Nogueira é fundador do grupo do Conservadores da Alta Mogiana. No ano passado, ele foi um dos organizadores de um evento com figuras do bolsonarismo como Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Capitão Derrite, a médica Nise Yamaguchi e o deputado federal eleito Gustavo Gayer (PL-GO).

Mauricio em foto ao lado de Bolsonaro — Foto: Reprodução

Mauricio em foto ao lado de Bolsonaro — Foto: Reprodução

 

No último domingo Alexandre de Moraes determinou a apreensão e bloqueio de todos os ônibus identificados pela Polícia Federal "que trouxeram os terroristas para o Distrito Federal".

"Os proprietários deverão ser identificados e ouvidos em 48 (quarenta e oito) horas, apresentando a relação e identificação de todos os passageiros, dos contratantes do transporte”, diz a decisão do ministro.

 

Por Jan Niklas e Jéssica Marques — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

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