
A Caixa Econômica Federal modificou as regras de uma consulta pública para transferência de uma agência bancária em Patos, no Sertão da Paraíba, permitindo que um terreno pertencente ao deputado Hugo Motta passasse a atender aos critérios exigidos. Após a repercussão do caso, a instituição informou que desistiu do processo, mas não esclareceu se a decisão ocorreu antes ou depois da divulgação das informações.
A primeira tentativa de relocação da agência ocorreu em janeiro de 2023, quando a Caixa estabeleceu exigência de um imóvel com cerca de 1.400 metros quadrados, além de delimitar ruas específicas no centro da cidade e em bairros próximos. Na ocasião, o processo não avançou. Já em março de 2025, um novo chamamento foi lançado com regras mais flexíveis, reduzindo a área mínima para 935 metros quadrados e ampliando as opções de localização, incluindo trechos da Rua do Prado — exatamente onde fica o terreno ligado ao parlamentar.
O imóvel de Hugo Motta possui aproximadamente 1.070 metros quadrados e foi adquirido em março de 2023 por cerca de R$ 900 mil. Embora não atendesse aos critérios iniciais, passou a se encaixar perfeitamente nas novas exigências. A mudança levantou questionamentos sobre possível direcionamento, já que o terreno ficou apto apenas após a alteração das regras do processo.
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação revelaram que o edital de 2025 recebeu apenas duas propostas. Uma delas foi apresentada por uma empresa em nome da esposa do deputado, Luana Motta, enquanto a outra partiu de um primo do parlamentar. A proposta vinculada à família previa aluguel mensal de cerca de R$ 43 mil, totalizando aproximadamente R$ 2,6 milhões ao longo de cinco anos. Já a proposta concorrente indicava valor mensal ligeiramente superior.
Durante a análise, a Caixa considerou inviável o terreno apresentado pelo primo de Motta por não atender às exigências estruturais e pela recusa do proprietário em realizar adaptações. Já a área pertencente ao deputado foi considerada apta, com previsão de investimentos significativos para construção do imóvel e instalação da agência. Apesar disso, o banco decidiu encerrar o processo, alegando inviabilidade, sem detalhar o momento exato da decisão diante da repercussão pública do caso.
Procurado pela reportagem da Folha, Motta disse que não participou de nenhuma tentativa de obtenção de favorecimento junto à Caixa. O deputado afirmou que há uma ilação baseada em vínculo familiar e versão preliminar de documentos e reforçou “seu compromisso com a ética pública e com a impessoalidade no desempenho de suas funções”.
“O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, esclarece que não participou de qualquer iniciativa para direcionar consulta pública ou obter favorecimento em eventual contratação pela Caixa”, disse Motta.
“O presidente também ressalta que insinuações de conflito de interesses baseadas em vínculos familiares ou em versões preliminares de documentos carecem de lastro para sustentar qualquer narrativa de irregularidade, sobretudo quando tais ilações envolvem contratos sequer celebrados.”
*Com informações da Folha
Por: Wanessa Meira / polemicapatos
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