
A decisão do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba de apoiar a pré-candidatura à reeleição do governador Lucas Ribeiro (PP) já provoca ruídos internos. Nesta segunda-feira (13), o ex-governador e pré-candidato a deputado federal Ricardo Coutinho (PT) classificou a estratégia como “equivocada” e sinalizou que a adesão não será automática, apesar de respeitar a posição partidária.
Coutinho foi direto ao comentar o movimento da legenda. “ Pelo que eu vi da reunião do diretório e da fala do presidente nacional, me parece que sim. Eu particularmente acho, como eu disse inúmeras e inúmeras vezes anteriormente, achei um equívoco, uma falta de estratégia política”, disse durante entrevista ao programa Correio Debate, da rádio Correio 98 FM.
Em outro trecho da entrevista, o ex-governador destacou a importância de candidaturas alinhadas ao projeto nacional do partido. “Eu preciso ter numa disputa majoritária, e numa eleição tão, tão disputada como a eleição de Presidente da República, eu tenho que ter em cada plano estadual, em cada plano majoritário onde acontecem os debates, as entrevistas, os grandes comícios, os grandes atos, eu preciso ter uma candidatura que defenda o legado do presidente Lula, que é indiscutivelmente o melhor presidente que esse país já teve, e preciso ter uma candidatura que faça o combate à extrema-direita”, destacou.
Ricardo Coutinho também reforçou sua preocupação com o cenário político nacional e o papel das alianças estaduais. “O combate à extrema-direita que não pode voltar a governar porque todos nós percebemos como foi terrível para o povo brasileiro. Nem Lucas, nem Cícero farão isso. É claro que não farão isso! E porque eles têm uma estratégia e eu não estou cobrando nada diferente deles não, mas irei cobrar a partir do momento que o meu partido dá apoio a uma candidatura, eu irei cobrar a defesa do legado do presidente Lula e irei cobrar o ataque, o combate à extrema-direita”, argumentou.
Por fim, o ex-governador avaliou que uma candidatura própria seria o cenário ideal para o partido, mas afirmou que o debate já está superado. “Eu acho que os que estão aí não vão dar o que nós precisaríamos ter, mais do que nunca, uma candidatura própria. Mas isso passou, eu não vou ficar batendo nessa tecla, até mesmo porque eu não tenho nem quem defender”, finalizou.
A declaração ocorre dois dias após o diretório estadual do PT formalizar, em reunião realizada no auditório de um hotel na Orla de João Pessoa no último sábado (11), o apoio ao atual chefe do Executivo estadual. A decisão foi aprovada por maioria e integra a estratégia eleitoral da sigla no estado, alinhada ao projeto nacional liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo a resolução aprovada, o apoio a Lucas Ribeiro não é irrestrito. O partido condiciona a aliança ao alinhamento com a candidatura à reeleição de Lula, além de exigir participação na elaboração do plano de governo e espaço na chapa majoritária, incluindo a indicação para o cargo de vice-governador.
Nos bastidores, a fala de Ricardo Coutinho reforça a existência de divergências dentro do partido, especialmente entre setores que defendem candidatura própria ou uma postura mais independente no cenário estadual. Ao mesmo tempo, o ex-governador deixa claro que, caso a aliança se consolide, pretende atuar como voz ativa na cobrança de compromissos políticos, sobretudo na defesa do governo federal e no enfrentamento a adversários ideológicos.
O episódio evidencia um cenário ainda em acomodação no PT paraibano, onde decisões estratégicas para as eleições seguem sendo ajustadas sob tensão entre unidade partidária e posicionamentos individuais.
Por Lucas Duarte / Fonte83
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