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Michelle Bolsonaro acerta com Valdemar saída do comando do PL Mulher

Michelle Bolsonaro acertou com o presidente do PLValdemar Costa Neto, sua saída da presidência do PL Mulher. A decisão ocorreu depois da briga pública da ex-primeira-dama com o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro.

O martelo foi batido nesta terça-feira (30), na reunião de Michelle com Valdemar na sede do PL Mulher. Valdemar marcou a agenda com a ex-primeira-dama na tentativa de apaziguar os ânimos entre ela e Flávio Bolsonaro, depois do vídeo publicado por Michelle com críticas ao enteado.

Segundo integrantes do PL, a saída será temporária e a justificativa seria a necessidade de cuidar de Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar e com problemas de saúde. Desde dezembro, Michelle já havia diminuído o ritmo da agenda do PL Mulher para ficar com o marido.

"Na condição de Presidente do Partido Liberal Mulher, venho por meio desta informar que, após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o Presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher para me dedicar – integralmente – aos cuidados para com o meu marido e minha filha", escreveu Michelle em nota.

Como revelou o colunista Lauro Jardim, Michelle também vinha ameaçando desistir da disputa como senadora pelo Distrito Federal e abandonar a política depois da desavença com Flávio ficar escancarada. No comunicado, no entanto, a ex-primeira-dama não aborda esse tema.

Valdemar disse a interlocutores que estava dedicado a convencer Michelle a permanecer no pleito. O presidente do partido argumentou sobre a força da ex-primeira-dama na eleição de aliados como Celina Leão, que concorrerá à reeleição do governo do Distrito Federal, e Bia Kicis, que disputará o Senado pelo DF. Ambas estariam na chapa de Michelle como candidata à senadora.

Valdemar ainda fez apelos sobre o papel da ex-primeira-dama numa campanha para derrotar Lula e defendeu que esse seria o único caminho para ajudar seu marido, Jair Bolsonaro.

Michelle divulgou um vídeo na semana passada no qual deixou públicas as desavenças com o enteado. A ex-primeira-dama falou sobre um telefonema de Flávio no qual ele a “humilhou” e a “maltratou”. Disse ainda que o senador determinou que ela se afastasse das decisões políticas e indicações do PL. Flávio rebateu as críticas publicamente e disse que nunca ofendeu a madrasta.

Michelle também falou sobre ataques que vinha recebendo desde o fim do ano do grupo baseado nos Estados Unidos. Ela não citou nomes, mas a fala foi vista como uma referência direta a Eduardo Bolsonaro e seus aliados que vivem no exterior.

A pessoas próximas, a ex-primeira-dama vinha se mostrando estafada com os ataques que passou a receber.

Na nota publicada após a reunião com Valdemar, Michelle fez um agradecimento especial à vice-presidente do PL Mulher, Priscila Costa. A deputada foi pivô da briga da ex-primeira-dama com Flávio e dirigentes do partido.

Ao consolidar a aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, o PL acertou que uma vaga na chapa seria indicada pelos tucanos e a outra seria do pai do deputado federal André Fernandes, o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE). Com isso, Priscila, que era o nome de Michelle para concorrer ao Senado, ficou de fora da disputa.

 

Por Bela Megale / O GLOBO

 

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