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Quarta-Feira, 7 de Outubro de 2026 | |
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Quinhentas famílias vivem há dois anos em duas ocupações urbanas no bairro Patrícia Thomaz, mais conhecido como Iraque, na periferia de João Pessoa. A Ocupação Sonho Verde tem mais de trezentas famílias, e a Ocupação Morada Nova mais de duzentas. Os terrenos onde moram essas famílias pertencem à Companhia Estadual de Habitação Popular (Cehap). 

O déficit habitacional na Paraíba é de 111.895 residências, segundo pesquisa de 2012 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), última pesquisa nacional sobre o tema, que revela que, em João Pessoa, esse número é de 20,9 mil domicílios.  Na área, existe uma placa informando que se trata de obra do Programa Minha Casa Minha Vida, que nunca foi iniciada.

As famílias vivem em casas de alvenaria ou em habitações improvisadas feitas de lona, madeira ou placas de ferro.

Segundo as lideranças, todo dia chega mais gente. Entre casas de alvenaria e barracos improvisados de zinco, madeira ou placas, as famílias vão se organizando no território e lutando pelo direito de ter um teto.

De acordo com Gleyson Melo, do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), a obra nunca saiu do papel: “a primeira empresa que ganhou a licitação faliu e a segunda também”, afirmou o coordenador do movimento. “E agora, com o desmonte da política de habitação no Brasil a partir do governo Temer, ficou ainda mais difícil que o direito de moradia se concretize. Com esse governo, também veio o aprofundamento da pobreza, com desemprego e alta do custo de vida, o que fez com que as famílias buscassem alternativa de sobrevivência. O aumento do número de acampamentos e ocupações urbanas é fruto dessa realidade”, analisa Gleyson.

Para Pedro Rossi, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil na Paraíba (IAB/PB), o cenário no estado é um modelo que se repete no Nordeste e no Brasil. “É um problema que reflete nossa desigualdade social”, analisa.

“Estou aqui porque preciso de um lugar para chamar de meu, onde eu possa deitar a cabeça no travesseiro à noite e dormir sossegada. Aqui a gente tá lutando por morada”, relatou Juliene Nery, uma jovem liderança que mora há dois anos na ocupação. Por enquanto, ela mora com o filho e o marido em um barraco improvisado, mas nos conta com muito orgulho: “já ‘tô’ construindo minha casinha que, se Deus quiser, vou terminar”.

Dona Maria veio da área rural de Campina Grande para João Pessoa há pouco mais de dois anos. De início, ela morava de aluguel no mesmo bairro da ocupação. Porém, ficou difícil se manter e resolveu, junto com seu esposo, ir morar na ocupação. “A gente quer e precisa de uma moradia. Porque não é fácil você ter que pagar um aluguel; acordar e saber que é dia de pagar suas contas e não ter de onde tirar”, conta a moradora.

“Aqui todo mundo se ajuda. Aqui tem muita criança, tem muita mãe que passa necessidade. Já ajudei muitas vezes, como posso”, completa D. Maria. Ela mora com o marido e três filhos, sendo um de dezesseis, uma de doze e outra de onze.

 

Imagens: Walla Santos