
O dia 26 abril é o Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia. No país, 20 a 30% da população adulta tem níveis de pressão arterial alta, acima de 120 x 80 mm Hg. A hipertensão ocorre em crianças e adultos de qualquer idade e suas complicações mais comuns são o infarto do miocárdio (mais em homens) e o derrame cerebral (mais nas mulheres), além da uremia (deficiência de funcionamento dos rins).
Em geral, a pressão alta não dá sintomas, existem pessoas com pressões acima de 200 x 100 mm Hg que nada sentem e outras com menor pressão, mas se queixam de dores de cabeça. Por isso é recomendável medir sua pressão de vez em quando, nas campanhas e nas consultas médicas de qualquer especialidade, principalmente se tiver parentes próximos com hipertensão arterial.
A principal causa é o alto consumo do sal, acima de 5g por dia, seja o visível ou o embutido nos alimentos industrializados. A média de consumo em nosso país chega ao absurdo de 12/15 grs. /dia. Indivíduos com mais de 55 anos de idade com níveis normais de pressão arterial terão, no transcorrer de sua vida, 90% de chance para desenvolver hipertensão arterial.
Medida da pressão arterial de um atleta
Apesar de todos os cuidados, a pressão arterial (PA) medida, se estiver elevada, pode ainda não refletir valores reais. Este fato pode ser devido à reação de estresse emocional no momento da medida da pressão ou a variações fisiológicas naturais nas 24h. Para evitarmos que um atleta seja rotulado como hipertenso erroneamente, é importante medir a pressão mais de uma vez na consulta e, se ela estiver alta, repetir em outras condições (em casa).
Comportamento da pressão arterial aos exercícios
Com pressão normal, o exercício aeróbico (corridas) induz a um aumento da PA máxima, proporcional ao aumento da intensidade de exercício e isso é absolutamente fisiológico e normal. A PA mínima habitualmente permanece estável ou diminui um pouco. Então, num corredor treinado, a variação da pressão pode chegar fisiologicamente a 220 x 80 ou 70 mm Hg sem representar doença.
Nos exercícios resistidos como levantamento de peso, a PA pode atingir níveis muito altos. Nesses atletas a utilização de técnicas respiratórias que buscam evitar efeitos da “Manobra de Valsalva” (prender a respiração) durante o esforço, limitará significativamente a elevação exagerada da PA.
Hipertensão arterial em atletas
Entre os atletas, poucos são hipertensos, a pressão arterial é 50% mais baixa do que a encontrada em sedentários. A maioria dos atletas hipertensos está no nível de estágio I ou Il (varia de I a IV) e a medicação personalizada e eficiente sem causar doping.
Na avaliação médica pré-participação de adolescentes e jovens, encontramos 12,2% deles com hipertensão arterial e destes, a maioria (quase 80%) continuavam com PA elevada no seguimento médico de um ano, reforçando a importância da avaliação médica pré-participação e rigorosa persistência no tratamento instituído.
Por Nabil Ghorayeb, São Paulo