
No dia 15 de julho deste ano, a postagem de uma jovem aflita no Twitter acabou por mostrar a força das redes sociais para fazer o bem. Bianca do Vale Mendes, de 19 anos, pediu ajuda em seu perfil para que seu irmão, de 13, conseguisse fazer um transplante de coração. A publicação, que foi repostada quase 125 mil vezes, foi considerada a mais compartilhada da rede em 2019.
O drama de Douglas Kauã Ferreira, agora com 14 anos, começa com apenas 2, quando ele foi diagnosticado com miocardiopatia dilatada. A doença atinge o músculo do coração e impede o órgão de fazer o bombeamento adequado de sangue para o resto do corpo. As consequências do problema vão desde arritmias até morte súbita.
Aos 7 anos, o menino teve o tratamento interrompido quando os médicos afirmaram que ele não precisava mais de acompanhamento. Apesar disso, cinco anos depois, Douglas voltou a apresentar os sintomas da doença, agora com mais intensidade.
Com o coração muito debilitado, a equipe médica que cuidava do caso chegou à conclusão de que não haveria outra saída que não fosse um transplante. Segundo Bianca, para que entrasse na fila de doação de órgãos, Douglas precisava estar a uma distância de no máximo 40 minutos do hospital. Naquele momento, a família ainda morava em São Sebastião, cidade do litoral norte de São Paulo - a quase 200 quilômetros do Centro da capital paulista.
"A gente precisava se mudar para a capital, mas minha mãe estava desempregada e não tínhamos dinheiro para se sustentar lá. Foi aí que tive a ideia de fazer uma vaquinha na internet e compartilhar a história na rede social", relembra.

A repercussão da publicação foi praticamente imediata. Inúmeras personalidades compartilharam a postagem e a família alcançou a meta de R$ 15 mil da campanha em menos de dois dias. Pouco tempo depois, alcançaram o valor de quase R$ 23 mil e conseguiram realizar a mudança para a cidade de São Paulo, próximo ao hospital.
Muito debilitado, Douglas precisou ficar mais de um mês ligado à uma máquina que cumpria o papel primordial do coração de bombear o sangue. "Nem consigo explicar o sentimento de quando recebemos a notícia de que havia um coração compatível. Nunca imaginei passar por uma situação assim e não entendia a dificuldade, a gente só entende quando vive isso", emociona-se Bianca.
Após o transplante, realizado com sucesso no dia 28 de setembro, a família ainda passou por outro susto. Durante o período de recuperação no hospital, Douglas deu indícios de que o corpo rejeitaria o novo órgão. Imediatamente, os médicos iniciaram o tratamento medicamentoso e conseguiram contornar a situação. No dia 13 de novembro, o menino teve alta do hospital e retomou a rotina.
"Fiquei muito feliz e surpresa com toda a movimentação, agora vejo a internet com outros olhos. Antes, meu irmão só conseguia chorar de dor, ficava sedado o tempo todo. Graças à ajuda e atenção das pessoas que compartilharam, conseguimos vencer essa batalha”, agradeceu.
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