Os Correios vão adotar, de forma gradual, a escala de trabalho 12x36, que prevê uma jornada de 12 horas com descanso posterior de 36 horas. A medida faz parte do plano de reestruturação da empresa e tem o objetivo de aumentar as entregas no final de semana, permitindo que a estatal seja mais competitiva frente aos seus rivais privados – que já entregam aos sábados e domingos.

Atualmente, os carteiros têm jornada de 8 horas por dia. Aqueles que trabalham todos os sábados, ganham um adicional de 15% do salário. Já em dia de repouso, como domingos e feriados, o bônus é de 200%. Com a escala 12x36, os empregados não terão mais direito ao adicional de 15%, mas as regras do trabalho em dia de repouso permanecem.

Nesse caso, além do ganho operacional, com possibilidade de melhorar as entregas no fim de semana, a empresa espera conseguir reduzir os custos - atuando em duas frentes no plano de reestruturação. Com a nova jornada, o valor pago a título de vale-transporte também deve cair, uma vez que terá redução de 22 dias trabalhados para 14 dias, em média.

Já o pagamento do vale-alimentação e refeição não será alterado e de outros benefícios não será alterado.

A adesão à escala 12x36 será voluntária e elegível apenas para atividades específicas da empresa. Hoje, não existe essa jornada nos Correios, mas a modalidade é permitida pela legislação trabalhista.

Em comunicado aos funcionários, a estatal afirma que a adoção ocorrerá conforme as necessidades do serviço, permitindo maior adequação das equipes e dos turnos ao ritmo real da operação e do negócio. A empresa ainda ressalta que vai respeitar os direitos dos funcionários e à legislação do trabalho.

Os Correios mencionam que a medida é especialmente indicada para áreas que demandam funcionamento contínuo e maior agilidade na entrega, em um cenário de crescimento do comércio eletrônico e de exigência crescente por prazos mais curtos.

"A jornada flexível se consolida como um diferencial competitivo relevante, ao ampliar a capacidade operacional dos Correios e fortalecer o posicionamento da empresa frente à concorrência no segmento de encomendas."

Os Correios vivem uma das maiores crises da sua história e um das razões apontadas para a queda nas receitas é o aumento da concorrência com empresas privadas, que têm maior investimento em tecnologia e maior flexibilidade. Com a nova jornada, a empresa tenta estreitar essa diferença.

Dentro do plano de reestruturação, a estatal também tentam remodelar a plataforma de comércio eletrônico, o Mais Correios, com medidas de inteligência de mercado, abrangência de produtos e impulsionamento de ofertas. Uma das mudanças, no entanto, depende de uma parceria para agregar serviço financeiro à plataforma, visto como principal diferencial das concorrentes.

Todas as melhorias, no entanto, dependem de um avanço no principal serviço da casa: as entregas. Os Correios ainda batalham para chegar à meta de 96% das encomendas entregues no prazo. Em fevereiro, a média nacional foi de cerca de 80%, embora 14 estados já estejam em torno do alvo estabelecido.

Outra mudança prevista no plano de reestruturação é a simplificação do plano de cargos e salários da estatal. Atualmente, os Correios têm uma longa lista de cargos específicos, que dificultam o remanejamento de servidores. A mudança também será voluntária.

 

Por Thaís Barcellos e Geralda Doca — Brasília / O GLOBO

 

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