Araras nascem na Mata Atlântica após 200 anos de extinção

No último mês, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) celebrou uma importante vitória para a fauna brasileira: o nascimento dos primeiros filhotes de arara-vermelha-grande (Ara chloropterus) na Mata Atlântica. O acontecimento marca o retorno da espécie ao bioma após quase 200 anos de ausência.

O resultado é fruto do Projeto de Reintrodução da Arara-vermelha-grande na Mata Atlântica, iniciado em 2022 e conduzido pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama de Porto Seguro, na Bahia.

 

O caminho até a conquista

Para dar início ao programa, foram selecionadas aves resgatadas do tráfico de animais ou doadas por criadores autorizados.

Todas passaram por um rigoroso processo de identificação, com anilhas metálicas e microchips, seguido de quarentena, testes sanitários e avaliações clínicas.

NurPhoto/Getty Imagess
A Mata Atlântica abrange uma extensa faixa litorânea brasileira, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, cobrindo cerca de 15% do território nacional

Na sequência, os animais foram submetidos a treinamentos de socialização e condicionamento físico, medidas fundamentais para sobrevivência em vida livre. Estratégias como a oferta de alimentos nativos e instalação de caixas-ninho artificiais também ajudaram na adaptação ao novo ambiente.

A soltura ocorreu em uma área com cerca de 7 mil hectares de floresta em estágio avançado de regeneração, que inclui a Estação Veracel, em Porto Seguro, considerada a maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) de Mata Atlântica no Nordeste.

 

A natureza agradece

Em 2024, a primeira turma de araras foi solta na região. Ainda no primeiro ano, algumas caixas-ninho já haviam sido ocupadas. O sinal foi promissor, já que estimativas iniciais apontavam que a reprodução poderia levar até cinco anos.

 

Cetas Porto Seguro/IbamaArara-grande-vermelha
O projeto começou em 2022

 

Neste ano de 2026, a formação de casais e a defesa das estruturas indicaram o tão esperado comportamento reprodutivo.

Com monitoramento a distância, a equipe confirmou o nascimento dos dois filhotes. Os pesquisadores, inclusive, já os observaram voando e sendo alimentados pelos pais, um indicativo claro da adaptação.

O resultado ainda reforça uma constatação importante para os profissionais: mesmo após períodos em cativeiro, as espécies são capazes de recuperar comportamentos naturais essenciais à sobrevivência.

 

O desaparecimento

Os primeiros registros da arara-vermelha-grande datam da chegada dos europeus ao território brasileiro, em 1500, período em que a ave ocupava grande parte do país. Na época, a famosa Carta de Pero Vaz de Caminha já descrevia esses animais como “papagaios vermelhos, muito grandes e formosos”.

Cetas Porto Seguro/IbamaFoto colorida de araras brigando
Arara reprodutora atacando indivíduo que se aproximou do ninho

Com o avanço da captura ilegal e do desmatamento, a espécie foi gradualmente eliminada de todo o litoral brasileiro. As populações remanescentes ficaram restritas a regiões do interior, como Norte e Centro-Oeste.

Considerada uma “engenheira do ecossistema” por sua capacidade de dispersar sementes por longas distâncias, a arara-vermelha-grande agora conta com uma rede de proteção formada por instituições como a Polícia Militar da Bahia, a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a World Parrot Trust, além de parceiros locais.

 

Participe do projeto

O projeto segue em expansão e busca novos apoiadores. Zoológicos, centros de reabilitação e até proprietários legalizados podem contribuir, oferecendo indivíduos da espécie para futuras solturas.

Interessados podem entrar em contato pelo e-mail: [email protected].

 

 / metropoles.com

 

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