
Quase quatro em cada dez casos de câncer no mundo poderiam ser evitados — um número que chega a 19 milhões de novos diagnósticos por ano, segundo especialistas internacionais. Um novo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que mais de 7 milhões de casos registrados no último ano da medição estão ligados a causas que podem ser modificadas — ou seja, evitadas.
Na Alemanha, onde cerca de metade da população pode desenvolver câncer ao longo da vida, o desafio é especialmente claro. Por isso, o país tem feito investimentos intensos em prevenção, com campanhas de combate ao tabagismo, incentivo à atividade física, alimentação saudável, rastreamento precoce e acesso acelerado a novos exames e tratamentos de ponta — uma abordagem que vem sendo citada como modelo na Europa.
Segundo especialistas, muitas dessas doenças estão associadas a fatores de risco modificáveis como tabagismo, álcool, poluição do ar e, cada vez mais, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.
Mas o que são alimentos ultraprocessados? São produtos industrializados prontos para consumo, como refrigerantes, biscoitos recheados e fast food, que contêm muito açúcar, sal e aditivos químicos. O consumo começa muito cedo e os médicos observam outro fenômeno: o crescimento de casos de câncer em pessoas mais jovens — especialmente antes dos 50 anos —, associado a hábitos de vida pouco saudáveis desde a infância.
Outro tema que volta a ganhar atenção nas discussões de saúde pública é o cigarro eletrônico. Eles são frequentemente apresentados como alternativa ao tabaco, mas não são produtos inocentes. Segundo especialistas e agências de saúde, o uso dos eletrônicos pode trazer riscos respiratórios e cardiovasculares, podendo aumentar o risco de câncer devido à inalação repetida de substâncias tóxicas.
Infecções e prevenção por vacina
Pela primeira vez, o estudo também incluiu agentes infecciosos como causas cancerígenas, entre eles a Hepatite B e o papilomavírus humano (HPV). Apesar da existência de vacinas eficazes, a adesão ainda é desigual no mundo.
Especialistas destacam que, além da prevenção, o avanço dos exames e dos tratamentos tem mudado o cenário da doença. Testes mais precisos permitem diagnósticos precoces, enquanto terapias-alvo e imunoterapia ampliam as chances de cura.
Nos últimos anos, a Inteligência Artificial (IA) tem sido uma aliada poderosa, ajudando médicos a diagnosticar tumores com maior precisão e personalizar tratamentos. No entanto, os especialistas explicam que essa tecnologia não substitui os profissionais; ela torna o processo mais eficaz e abre caminho para terapias adaptadas a cada paciente.
Com a previsão de um crescimento substancial nos casos de câncer nas próximas décadas, médicos enfatizam: a prevenção continua sendo essencial, mas o diagnóstico precoce e tratamentos modernos são fundamentais para reduzir o impacto da doença no mundo.
Band/ Uol
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