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Quinta-Feira, 10 de Setembro de 2026 | |
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Uma fiscalização da Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE) resgatou 20 trabalhadores de condições análogas à escravidão em uma obra pública de pavimentação localizada na cidade de Patos, no Sertão da Paraíba. O resgate aconteceu no final de julho, mas foi divulgado apenas nesta quarta-feira (9) por auditoria.

Os 20 trabalhadores resgatados em questão foram instalados em alojamentos coletivos fornecidos pela empregadora. Em outras duas empresas fiscalizadas, foram encontrados 10 e 20 trabalhadores na informalidade, respectivamente, sem que houvesse resgate. As medidas cabíveis foram cumpridas.

Ainda de acordo com as informações divulgadas, foram averiguadas as situações de 55 trabalhadores vinculados a três empregos diferentes, dos quais 47 estavam sem registo e sem formalização dos contratos de trabalho. Em uma dessas empresas, responsável por duas frentes de pavimentação em paralelepípedos, foram realizados 25 trabalhadores, 17 deles sem registro.

A operação também encontrou uma série de irregularidades relacionadas também às condições em que os trabalhadores estavam alojados e a estrutura de trabalho que foram dispensadas. Sobre os alojamentos, a fiscalização constatou que dois eram superlotados e precários, sem camas, móveis ou estrutura adequada, com colchões no piso e pertences distribuídos.

Nas frentes de trabalho não havia sanitários, lavatórios, vestiários, abrigo ou locais adequados para refeições e descanso. As necessidades eram feitas no mato e as refeições no chão, enquanto os trabalhadores ficavam expostos ao sol, poeira, esforço físico e riscos de acidentes, sem equipamentos de proteção, treinamento, controle médico ou primeiros socorros.

Em relação aos pagamentos dos pagamentos dos trabalhadores, estes foram feitos em espécie ou transferência, sem recibos, e sem a parcela de segurança semanal para remunerados por produção ou diariamente. A fiscalização encontrou registros de manuscritos de pagamento e pontos que identificavam trabalhadores sem registro, com dados de obra, frequência e chaves de transferência.

A conduta e eventual responsabilidade dos entes públicos contratantes das obras serão apuradas em procedimentos específicos.

O  g1  entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Patos sobre a obra, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Os direitos dos trabalhadores foram registrados
 

Fotos de um dos alojamentos em que os trabalhadores ficaram — Foto: Auditoria-Fiscal do Trabalho (SIT/MTE)

 

Também conforme os auditorias, os vínculos de emprego dos trabalhadores foram formalizados, com registro no eSocial desde os respectivos dados de recebimento e os correspondentes recolhimentos do FGTS e das contribuições previdenciárias.

Somados, os valores destinados ao pagamento das verbas rescisórias ultrapassaram R$ 85 mil.  Os trabalhadores também terão acesso ao seguro-desemprego especificamente ao resgate do trabalhador de condição análoga à de escravo, apresentados os requisitos legais.

 

Por G1 Paraíba

 

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