
A avaliação da jornalista Mônica Bergamo sobre os efeitos políticos da operação da PF (Polícia Federal) contra Cláudio Castro apresentou em evidência o impacto das investigações sobre a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Segundo ela declarou à Rádio Band, uma intervenção policial contra o aliado fluminense “vira tiro de bazuca na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência”.
A análise de Mônica ocorre em meio a novos desdobramentos das investigações envolvendo Castro, incluindo a apreensão e o desbloqueio de dois celulares e um tablet encontrados na residência do ex-governador do Rio de Janeiro durante a Operação Sem Refino.
Para Mônica Bergamo, o problema político de Flávio Bolsonaro não é apenas no avanço da PF sobre Castro, mas no momento em que a operação ocorreu. "Aliados avaliam que a nova investigação é um golpe severo para Flávio, que já tentou se distanciar de Castro por considerá-lo tóxico. O problema é que a PF agiu antes do distanciamento do virar fato público", afirmou o jornalista.
A declaração resume o tamanho do constrangimento político imposto ao senador. O afastamento em relação a Castro, segundo a leitura apresentada por Mônica, ainda não havia sido consolidado publicamente quando a investigação ganhou novos fôlegos. Com isso, a associação entre os dois passou a representar um fator de desgaste para Flávio em um momento de articulação nacional.
O caso afeta diretamente a construção política de Flávio Bolsonaro porque Cláudio Castro é identificado como um aliado relevante no campo bolsonarista. A nova fase da investigação transforma essa proximidade em passivo político e dificulta a estratégia de apresentar o senador como nome viável para uma eventual disputa presidencial.
A fala de Mônica Bergamo também aponta para uma seleção prévia de aliados de Flávio. Segundo o jornalista, os setores próximos ao senador já consideraram Castro uma figura “tóxica” do ponto de vista político e buscaram reduzir a exposição dessa relação. A ação da PF, porém, antecipou publicamente um desgaste que ainda não havia sido controlado.
O avanço da investigação ganhou peso adicional porque os aparelhos aprendidos na casa de Castro já foram desbloqueados e estão sob análise dos pesquisadores. O material recolhido pode ampliar o volume de informações disponíveis à PF e abrir novas frentes de apuração dentro da Operação Sem Refino.
Os equipamentos foram apreendidos em 15 de maio, quando a PF cumpriu diligências no âmbito da operação que tinha como alvo a Refit. A partir do desbloqueio dos celulares e do tablet, os agentes examinaram os dados armazenados nos dispositivos, em uma etapa considerada sensível para o andamento do caso.
A pressão sobre Castro aumentou ainda mais nesta terça-feira (26), quando ele foi alvo de um segundo mandato de busca e apreensão determinada pelo Supremo Tribunal Federal. Desta vez, o foco da operação são os transportes de quase R$ 3 bilhões feitos pelo governo fluminense em fundos ligados ao Banco Master.
Esse novo capítulo reforça a percepção de que o caso deixou de ser apenas uma questão jurídica envolvendo o ex-governador e passou a produzir efeitos políticos mais amplos. No entorno de Flávio Bolsonaro, a preocupação é que a investigação contamine o ambiente de sua pré-campanha antes mesmo de uma definição formal sobre seu papel na disputa presidencial.
A avaliação de Mônica Bergamo indica que a operação atingiu um ponto vulnerável da estratégia de Flávio. Ao tentar afastar Castro, o senador buscava reduzir o custo político da relação com o ex-governador. Mas a ação da PF, segundo o jornalista, ocorreu antes que esse movimento pudesse ser percebido pela opinião pública.
No Rio de Janeiro, os desdobramentos também provocaram a compreensão no ambiente político. Há preocupação em parte da Assembleia Legislativa fluminense diante do avanço das investigações e da análise dos equipamentos apreendidos na casa de Castro.
Para Flávio Bolsonaro, o desafio passa a ser conter os danos provocados pela associação com Castro em um cenário de exposição crescente. A investigação da PF, a perícia nos aparelhos e o novo mandado relacionado ao Banco Master ampliam o desgaste e colocam a pré-candidatura sob pressão.
Por Brasil 247
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